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quarta-feira, 25 de julho de 2012

Sobre a pele


Poluição visual para quem de canto me espia
Arte no corpo para quem senta e toma um café
O olho torto que me segue, às vezes é cego de fé
A fé que está tatuada na estupidez da pouca perspectiva.

Orgulho-me das memórias registradas com a agulha
Desde uma obra-prima até alguns traços tortos e verdes
Muito mais verdadeiro que seus diplomas pelas paredes
Não é por capacidade que o seu sistema me anula.

Prefiro rabiscar o que ME agrada pelo MEU corpo
Ao vomitar todos os bons motivos nesta sua cara
Mesmo diferente não me sinto uma pessoa mais rara
Continuo único, igual a todos, no fim estou morto.

Quando te olho, reparo apenas em seu semblante
Esqueça os furos na pele, eu sei reconhecer a dor
Não querem que eu pinte a pele, mas pele não tem cor
Então está eternizada toda a magia de um instante.

Raras vezes supérfluo, procuro minha mensagem
Pouco mais de metro e meio para mudar o meu retrato
Não mudo o que é interno, importo-me só com fatos
Enquanto reflito no mundo encho meu corpo de tatuagem.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Só existe um céu


O que é ser grande onde a medida de tudo é tirada da média do montante? O que é ser acima da média? Se existe algo em maior quantidade que pessoas são as médias. É incrível como eu tento me destacar individualmente, mas rotineiramente me critico por ser um tanto estranho. Como se eu quisesse ser único de um coletivo único, e assim ser melhor que o todo, e assim me tornar normal. Só não exploro mais o quanto eu acho linda minha arrogância porque gosto de parecer mais humilde que os demais. Destaque, destaque e mais destaque. Quanto mais alto se chega, nada. Isso mesmo, nada. Nada é diferente nas pessoas. São as mesmas piadas sem graça, são as mesmas dúvidas de sempre e aquela velha mania de querer economizar. Dei muito soco em ponta de faca até entender que o conhecimento é tudo aquilo que aprendemos para nos deixar mais forte, mais vivo, não só dominar três idiomas e ter alguns livros enfeitando a estante do pc. Inteligência de verdade é saber refletir. Pôde Dona Maria ter tido conhecimento de grande utilidade dentro de sua vida e morrer aos 89 anos de idade, com uma família grande e unida. Mesmo sem um centavo no bolço, foi tudo o que Dona Maria sonhou. Já Arthur, morreu aos 27 anos dirigindo embriagado. Arthur havia se formado recentemente em medicina e já exercia a profissão que o pai tanto quis. Pena ter desistido de ser músico, tinha um futuro brilhante e talvez nunca tivesse conhecido aqueles boyzinhos de merda que tanto insistiram para ele beber. Cadê seu conhecimento elevado de classe média alta agora Arthur?  Destaque, destaque e mais destaque. Como isso em algum momento pode ter uma gota de nexo, se a felicidade é um sentimento pessoal. A única explicação cabível é que minha inveja é maior que meu contentamento, já não quero ser assim. As paisagens serão meus objetos de contemplação quando eu resolver olhar ao meu redor, e ao invés de tentar ser melhor que ela, diferente dela, tentarei me unificar. Percebi que quanto mais tento me diferenciar das pessoas, mais semelhante a elas eu me torno. E convenhamos, “tá uma merda”.