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quinta-feira, 25 de julho de 2013

Linda


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Linda como pessoa e também em nome
Mas sua figura
desvirtuava-nos a uma atenção indevida
Ou pior, desatenção.

Mas somente até ela recitar de suas poesias
Com o efeito da razão abstrata
Que em seus surtos de ira
Esbofeteia quem lhe atreva o olhar.
Uma cólera inflamada de verdades inflamáveis
Incendiando a todos
Que já queimavam sem saber.

Diferente da ruiva inteligentemente rica,
De seios que me pareciam um convite para um espírito satisfeito,
Não era de uma cor branca pálida,
Pois seu cabelo ardia sobre a pele,
Luz por sobre esmeraldas,
Mas que de olhos fechados usando do tato imaginável
Tornava-se um rio de plumas.
Porém, nunca me surpreendia,
Hipnotizava-me como dinheiro a um mendigo,
Mas dela eu só recebia certezas claras,
Assim como é certo de que o dinheiro mata a fome.

Ora, como sou ridículo falando sobre beleza
Sempre que estava com Linda
Sua imagem não me prendia, e então caia por devaneios.
Sou demasiadamente introspectivo,
E ela não parentava nenhuma revelação,
Nem era tal sua preocupação.
Logo minhas vistas se perdiam.
Um simples vento era capaz de arrastá-las
E assim o fez, tirando meu foco
Do chão riscado, sujo e rachado,
E me dando outro qualquer,
Um pássaro com um cabelo engraçado,
Que eu adoraria descrevê-lo como pica-pau,
Tentando achar inteligência
Em minha ignorância sobre o redor.
'Qual será dos fios deste poste que carregam sinais de televisão?
Ouvi dizer a respeito de super postes,
Mas ouvi de quem não soube me explicar muito bem,
Justo quando eu era todo ouvido,
Mas a razão deve ser esta,
Logo não terá mais espaços para novos fios'
E quando parecia que minha reclusão interior
Estenderia-se a eternidade daquelas tardes
Linda com duas palavras em bom tom
Puxava meu tapete voador e me derrubava,
Com graça,
No chão duro da realidade
Mostrando o quanto eu sou um tolo distraído.
Daí em diante nem precisava ser genial,
Eu ficava embasbacado olhando ela,
Admirando apreensivamente cada palavra
Esperando ela fazer novamente.
Era só aguardar, era muito natural
Aquele jogada sensual dos pensamentos
Para balançarem soltos no ar, lindos.

Ah, como era linda tamanha perfeição.
Alquimista frente a seu tempo,
Podia ainda demonstrar controle sobre sua sexualidade,
Sabendo o quão infantil evitara ser.
Era muito forte a sustentação de seu espírito.
Espírito maduro,
Quanto o mundo lhe foi duro
Para resistir resultado assim?
Nem mesmo o patinho feio
Suportaria arrastar uma vida toda
Nas ruas da abstração.
Ela não tornou-se cisne,
Mas voa com as asas do que poderia ser um.
Como então é possível?
Não retribuíamos o que recebíamos?
Como foi condicionada a ser tão rítmica nas ações?

Ela era maior que todos.
E era reconhecida como tal.
Em meio a mesquinharia
de gente dizendo que melhoraria
O sorriso da mona lisa.
Diziam sempre sem dizer que ela seria mais bela,
Se assim o quisesse, até concordo,
Mas jamais ousaria dizer.
Quão imbecil isto seria. Logo a ela
Que sempre soube tudo o que os olhos não veem.
Com certeza ela tinha total controle da situação.
São os brasileiros ordenando ao técnico da seleção.
Ela simplesmente sorria e fugia do assunto com facilidade,
Raramente alguém tentava persuadi-la insistentemente,
Beleza sempre será assunto delicado. Que bom
Por apreciarem mais que tudo sua amizade, claro,
Impossível não,
Ela era sempre tão gentil com todos,
Até quando o contrário brada ação. Digo por mim.
Pois eu no lugar dela já teria perdido sangue frio
E refutado a todas em sua equivalência
“Fanny,
Não persistem em você porque não mostra resistência a ninguém,
Se sua filosofia é o agora,
Não gaste minhas filosofias com tuas frustrações.
Lenina,
Como quer ser diferente a ele tornando ele mais um?
De que adianta este perfume se não suportam sua proximidade?
És melhor que alguém e por isto tem o direito e o chama de liberdade?
Infantis, é isto o que vocês são.”
Não, Linda sorria.

Não consigo explicar de maneira mais clara.
Mas a razão é esta para eu quase não olhar mais
Para a ruiva que ilumina feito Sol o dia,
Nem para o poste que já quase encosta sua sombra cheia na minha
ou mesmo o passarinho, pica pau.
Olho para ela,
A mulher mais Linda que já conheci.

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