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terça-feira, 25 de setembro de 2012

O consenso mudo


Aberto a relacionamentos e julgamentos
Desde que não relacionem amor ao tesão
Sobre um, concordo com os fiéis em que Deus é amor
Mas, sobre amor, deus e fiéis vocês sabem minha opinião

Mesmo se acreditasse em milagres, jamais em inocência
O pudor sempre será estuprado internamente pelo libido
Nem me venha com sermões de falsa coerência
Se o nexo parte do natural, sou mais coeso quando despido

Depois posso até acusar, com certa razão, drogas e bebidas
Mesmo sabendo que antes os usei para incentivo
Assumirei a culpa, enquanto minha alma ainda levita
Já a sua consciência lhe afunda pelo mesmo motivo

O fruto de uma árvore já está predestinado por sua raiz
‘Uma rotina desgastante em troca de prazer diário? Serve’
Matar a sede não justifica a construção de um chafariz
Construiria já uma família se desconhecesse meu alicerce

Gozarei a minha vida, mesmo que o gozo seja um ultraje
Pelo tempo ser inegociável, conhecemos o peso do trágico
Sigo. Esporadicamente sádico  
Sadiamente esporádico 

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Brutus


Dou vida ao cigarro, porém, o cigarro me mata
O cigarro é minha doença, mas, passa-se por psiquiatra
Faz mal, sim, não que tudo já não faça
Não camuflados de amor em ópera falsa
Me atrai como amante pela beleza de sua brasa
E internamente me apunha-la nas costas com sua fumaça.

sábado, 1 de setembro de 2012

Não mereço tanto, porém, continuo insatisfeito


Tenho um milhão de amigos
Leais e legais como eu não mereço
Mas, nem metade do que gostaria

Tenho um grande amor aqui comigo
Dona da morada onde me fortaleço
Inteligente e bonita como eu não merecia

Vitimizo-me quando mereço o castigo
Quanto maior a sorte, mais eu padeço
Por não ser justa esta minha alegria

Como um rio que transborda do céu em pingos
E perde o fluxo ao tocar o concreto expeço
Sou eu dividido em rumos que a nada me levaria

Por isso de mim hoje me vingo
Quando ao invés de pedir eu agradeço
Toda a bondade irritante deste lindo dia.