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quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Sobre o tempo

Ainda não entendo,
Quando foi que esses adultos ficaram tão burros
E essas crianças tão espertas?

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Um bem comum


Mulher, para que choras o meu amor?
-Ele não lhe merece. Vai dizer uma amiga sem saber o que diz.
-Homem nenhum presta. Será o consolo de outra ainda mais perdida.
O que não mereço? Seu amor?
O que não merece? Minha rejeição?
Mesmo que me desse todo o seu amor,
Com ele eu não seria mais amado, você só amaria menos,
Aliás, amor me faltaria, entenda,
Quem sobreviveria ingerindo somente água?
Consegue imaginar alguém saudável assim?
Entretanto, a água jamais perderá sua importância.
É duro, eu sei, também sou carente. Quem não é?
Nós todos somos carentes e amantes, logo,
Seu amor não é maior e nem melhor que o de ninguém.
Nem eu melhor que qualquer um para merecê-lo mais ou menos.
Mas não merecê-lo?
Eu não merecia o amor de minha mãe que não teve escolha,
Contrário a todo o nexo
Foi quando me viu que ela entendeu o que realmente é amor.
Amor de verdade, aquele sem motivo.
Ela sim me amou como eu não merecia, mesmo assim,
Mãe cada um tem a sua, um bem comum, assim como o amor.
Pensaste que eu diria, ‘além da mãe, o amor é uma escolha’?
Quase, prefiro pensar que são várias. 
Uma coisa eu sei, vejo o que chamam de amor e a quem chamam.
De forma alguma amor é mérito.
Não é necessário saber amar, é aceitar que o amor não é monopólio.
É saber amar a si mesmo por completo.
Saber que somos um universo
E escolher uma estrela favorita não apaga as demais.
Tenho certeza que sabes apreciar um céu todo estrelado.

Minha intenção nem de longe é reerguer Sodoma
Para Freud, sexual não era apenas sexo.
Nem para Machado de Assis o amor um casamento.
E justamente por te amar como amo a todos
Eu jamais lhe trairia, pois,
Todos sabem a dor da traição, ou não?

É claro que não é tudo de tão igual,
Em ti não vejo pudor, luto contra o ciúme,
Amo mais? Mais tempo, e que tempo bom.
Também quero ser motivo de ciúmes, é claro, mas,
Que o ciúme seja um escudo, não as grades de uma prisão.
Para que nossa saudade se mate
Deixando para trás outras saudades,
Não transforme de mim uma necessidade,
Não faça eu me sentir uma droga.
Sim, seu amor me dói, e também me faltaria.
Mas uma criança faminta também me doeria.
Na hora eu lhe daria um pão, torcendo para que não mais a falte.
Reclamar falta de amor? Quanto egoísmo de nossa parte.
Se faltar, deixa que parta.
Mesmo que essa falta nos parta em mil pedaços.
Reconhecer que aceitar a dor é o melhor que faço.
Amo-te e também amo o mundo, para que desilusão?
Vai fundo, caia no mundo com a certeza que eu ainda te amo.
Te amo no mundo, sem apego ou devoção.
Numa altura dessas pareceria banal dizer
‘Eu te amo’
Mas dessa vez acho que finalmente o entenderia como sincero.
Amo literatura, esportes, comidas e viagens.
Nenhum destes é absoluto, cada um me entende de um jeito.
Cada um preenche um pouco do que sou, enfim,
Amo também as pessoas.

domingo, 4 de novembro de 2012

Independência


Qual é o meu problema?
Sei lá,
Mas, dizem que tudo depende.
Mas, dizem que a solução só depende de mim.
No fim, sou dependente de todos vocês.
Mal entro e já me torno uma nova opinião.
Um sorriso mal dado constrói um muro em minha frente,
Pequeno o suficiente para eu ver tudo o que acontece,
Grande o suficiente para ser impenetrável.

Mas, dizem que tudo depende.
Mas, depende, dizem de tudo.
Afinal, somos dependentes de boas referências.
Mal saio e já me torno uma nova opinião.
Um sorriso bem dado constrói uma ponte em minha frente
De um tamanho suficiente.

Mas, dizem que tudo depende.
Dependemos demais em dizer, tudo. 
Todos vocês dependem de mim.
Finalmente dar mais uma versão de minha opinião.
A construção de um sorriso deixa minha verdade a frente,
Prazerosa o suficiente para ser verdade,
Frágil o suficiente para ser verdade.

Mas, dizem que tudo depende.
Mas, tudo depende do que dizem.
Enfim, acho que sou o menor dos meus problemas.