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Dos mistérios da alma
Não pode dize-los menor
Que os mistérios do universo visível.
Se sou poeira comparado ao todo,
Menor ainda em mim, talvez
Por ser este que mais me importe.
Acredito no infinito físico por não
ter que encará-lo,
Necessidade de palpá-lo ou possuir.
Mas, abstenho-me de meus infinitos
Para olhar meu céu de sonhos
Pisando no chão firme da minha alma
Sem me parecer um estranho forasteiro
Nas terras de minha consciência
Não preciso acreditar na morte
Por ser o que não tenho
Nem nunca terei,
E dela serei só uma vez
Por acaso do destino,
Destino que deve ser ignorado,
Por vir antes de mim mesmo,
Tão presente quanto imperceptível
Alfandega entre passado e agora.
Vive num espaço de tempo
Que não existe em mim,
Logo, também não acredito no destino.
Dador desta minha vida
frágil.
Mas a vida sim tomo como verdade
Por ser a única que pode responder
Todas as dúvidas que não preciso ter,
E ainda assim me roubam parte da vida.
Vida,
Verdade frágil, e como tal,
Pronta para ser desmentida
Pela maior de minhas negações.
Assim como tudo que é desmentido.
Então, pelo tempo que me resta,
Resta-me enganar a morte e o destino
Tornando-me Sol em mim
Quando o dia não cobrar que eu seja poeira no todo,
Nem que isto me custe mais um engano.
Quando a morte desmentir a vida
Já não estarei presente em meu
universo.
E finalmente serei só mundo
Infinito sem alma
Eternidade sem vida.
Independente, serei real.
Uma verdade absoluta,
Assim como o tempo passado