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quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Ressaca

Hoje acordei cansado de ser eu,
Caí em mim sem saber aonde caí
Tonto do tombo, incomodado com o lugar.
Sem vontade de mudar,
Sem ter o que mais mudar,
Incapaz de preservar sequer um sorriso falso.

Acordei sem saber quem era eu.
Como se tivessem me desenraizado durante o sono

Acordei sem saber o meu gosto.
Vasculhei todos os downloads de música
Mas não me encontrei,
Só achei saudades de bons amigos que dançavam lá dentro.
Então, na esperança de um insight num devaneio,
Vi um filme que me aspirava a ser,
Mas ainda não era, na verdade era ainda mais distante.   

Acordei sem saber o que possuía.
Toda a bugiganga que alguém pode acumular
E uma a vontade de empilhá-las e tacar fogo,
Na TV, no ventilador, na moto e na geladeira.
Então porque diabos eu não consigo riscar o palito?
Porque não deixo esta lentidão e volto a ser chamas?
Pode a vontade ser mais frágil que a dura lei vital?

Ah, o apego a cela
Compaixão ao próprio assassino.
Não fui eu sozinho que me pus em desgraça,
E também não será só que conseguirei sair dela
E mesmo assim me faltam considerações.
Tudo que me entretém me tem
E não me solta nunca mais.

Não escolhi saber da riqueza que não tenho,
Almejar sempre o futuro conformismo.
Hoje me conformo com a riqueza do mundo que não tenho,
E talvez só por isso

Hoje eu não queira ser eu.

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