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sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Esperemos


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Esperemos

Há outros dias, melhores, que não têm chego,
que estão sendo feitos, ainda,
como o pão ou as cadeiras ou
As prateleiras das farmácias
Para não faltar remédios e preservativos
- há fábricas de dias que virão -
existem artesãos da alma
(sou eu e não sou, me entende?)
Que nunca acerta a medida exata
E vive excedendo os ingredientes,
quase iguais, mas não os mesmos.
Um descuido, um pensamento próprio e pronto
Desanda.

Não guardo nada para mim,
Vendo o produto para viver
E também já estou enjoado desse melado. (não sei como gostam dessa porcaria)
O pior,
Voltam muitas reclamações,
Até dos que rapam o fundo.
Não importa a satisfação
Querem receber pelo que pagaram.
(Queria ver se cobrasse por meu empenho, ah,
Sei lá também, se pá)

Na verdade eu queria fazer meu próprio dia.
Como quando eu fumo e preparo a janta,
Só bem depois lavo minha louça
Como quando eu acho graça da queda
Até começar doer e vir uma puta raiva
Como quando a ira cessa no banho quente
E saio andando pelado pela casa.

Porém,
Esses merdas não pagam direito seus dias,
Não podem,
Não há democracia com tanta gente esquisita.
Uns gostam de calor e outros de frio
E eu acho todos os amantes do calor um saco.
Agora mesmo
Estou torrando aqui, pelado,
Tentando dosar perfeitamente o pedido do cliente.
Caprichar é foda, chato e demorado,
Mas eu termino, tem que terminar.
Então vou descansar um pouco mais esperançoso
Esperando receber um dia justo
Feito quem espera, do correiro,
Uma encomenda
Paga com o próprio dinheiro.

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