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quarta-feira, 24 de junho de 2015

 Braços curtos, uma voz inútil e
minha presença desnecessária, no entanto
o aluguel. Portas domadas pela água azeda
que sai dos poros. A vitalidade
empregada numa abstração que não é a minha.
A força desprendida da alma e
seu retorno em sono fugaz. Desperto sobre minhas
dúvidas absolutas. Uma linha de sol na cara,
a novidade repetida. A ausência de uma cicatriz
denúncia a falta de riscos, as erupções na pele
dizem que exagerei.

Tanta fome de felicidade intermitente,
de renúncia total, ou qualquer outro veneno
que lembre um sonho imaginado.
Mas, meus olhos externos são pequenos
comparado ao das nuvens sem ego.
Finjo que a prioridade não é o meu pão,
que não é o meu copo ou minha pele.
Avanço mais um furo na cinta do contentamento
e escrevo palavras em ordem de dor,
como uma ardil atadura que cobre a chaga aberta e
recupera-me para voltar os olhos sobre a monotonia cotidiana.

quarta-feira, 17 de junho de 2015


Cores claustrofobicantes,
voluntariosos estorvantes.
Sofro náusea
na nova arca de Noé.

Preces delirantes,
idosos infantes.
Também sou causa
da minha falta de fé.

Cadê o feitor do dia
quinze do dois de mil novecentos e noventa e um
Para eu saber como

ele viveria
em lugar nenhum
sendo o que somos.