Noite estressante com grandes problemas, paro pra beber e relaxar apenas, a cerveja desce e acabo engolindo as mágoas que por um momento desaparecem, pelo efeito que me retarda. O dinheiro acaba então temos que ir embora, no caminho pra casa o problema volta somado ao frio que me arrepia e a solidão que devora, entretanto, vejo um mendigo dormindo, mesmo no barulho da madrugada de domingo. Eu o reconheço, pois ele sempre me pede dinheiro, então lhe dou um trocado só pra me livrar do cheiro, o cheiro das sucatas mal lavadas e da pinga, ele conta as moedas para ver se precisará de mais, caso a quantia não baste para a dose. Agora, olhando para ele neste sono pesado, neste frio que corta, onde eu mal consigo andar sem reclamar da temperatura em minha volta, eu sei que quando chegar em minha cama a cerveja bebida trará o meu sono,então minha ficha cai, só daí é que percebo o quão ignorante somos, as vezes não consigo resolver uma simples equação, não devo julgar aquele mendigo dormindo no chão, eu tive um dia difícil, então fui beber, o dia dele foi pior, é fácil compreender, de baixo de sol ou de baixo de chuva pegando latas, sem duvidas não era esse o futuro que ele sonhava, imagina sem beber como seria, trabalhando humilhado, as pessoas zombando do pobre coitado, desacreditando do seu passado, que nem sabemos o que ficou pra trás, se era bom filho, se tinha bons pais, e toda noite seria muito mais difícil do que já esta sendo, e mesmo apesar de tudo, ele vive me agradecendo. Deus, por favor, não deixe pinga para este mendigo faltar, pelos menos enquanto o inverno não passar.
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