Qualé? Se toda parafraseada estiver revestida de finas e engomadas palavras de alto calão lhe cairão como bela melodia a seu ouvido, mesmo lhe dizendo "oi, você sabe do que eu to falando?", e mesmo que diga "sim, eu sei", eu vou dizer "que bom, porque eu não estou falando nada". Acintosamente eu deixo explicito aqui e agora para ti o que eu quiser, e você vai rir e bater palmas, "bravo, bravo". É como adorar um lindo embrulho de presente e ganhar bosta, e continuar admirado com o embrulho sem conteúdo. Exatamente isto, sem conteúdo é a nova classe culta que eu vejo se proliferar no Brasil, grandes admiradores de Chico sem se quer ter uma causa, vermes praticantes do ócio vidrados em Marx, fãs 'incontestáveis' de Kafka que nunca amaram, vidas sem motivo. Vangloriam-se ainda da superioridade intelectual que tem e da bagagem literária que possuem, de sua imensa estante pocessa de livros europeus. Não digo aqui que devam ser ignorantes, é claro que a busca do conhecimento deve ser incessante, porém, de nada adianta ler por horas diárias se seu intuito for usar seu pulôver e óculos de meio grau e criticar o bulling em escolas, ou querer ser um escritor da nova geração que em seus textos 'dicionariais' expressam como saborear um chá feito com ervas colhidas na terra da rainha. Minha indignação é como estes conseguem funcionar igual a um intestino de Paris Hilton, digerem do bom e do melhor e mesmo que refinadamente só soltam merdas, e por mais fedido e nojento que esteja ninguém percebe. Minha indignação é como as pessoas que poderiam fazer alguma coisa para o bem deste país prefere se limitar a dizer como são bons no que fazem mesmo sem fazer nada, sim ruim é o político.
Enquanto isto as pessoas ignorantes continuam fazendo o que não lhe é opcional, sem ter a mínima noção do que realmente está acontecendo no próprio país e com uma baixíssima voz tentam gritar seus direitos que na maioria das vezes é o básico. E acabam passando a vida inteira servindo a pessoas que não lhe dão o menor valor, que tem aquele olhar de superioridade porque consegue decifrar siglas que aparecem no tablóide econômico do jornal, o mesmo jornal que o cidadão busca para ver a ultima pagina de anúncios de emprego, o mesmo jornal que o culto escreveu, o mesmo jornal que o pobre entregou, o mesmo jornal que o pseudo-intelectual recebeu em casa, o mesmo jornal que o proletário compra as pressas minutos antes de chegar ao canteiro de obras, o mesmo jornal que traz como manchete "Mais um vítima classe média morre reagindo de assalto em SP", mas essa parte ninguém lê mesmo. E na minha humilde opinião isto sim é desigualdade, quem pode não luta pelo direito de quem precisa, só se preocupa em admirar seu bom e fútil dia comum, e o que precisa, bem, o que precisa quer que o outro que se foda.
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