Ontem à noite
A claridade de um céu pontilhado
Amenizou os estrondos que ecoavam pelos corredores de prédios.
Passei um tempo com a cabeça inclinada para cima,
Atento e insignificante para aquele tamanho corpo.
Feito um único verme, que junto a milhões
Transita livremente
pelos cantos das unhas,
No fundo da orelha, dentro do nariz,
Fartos entre os dentes, colônias satisfeitas
No olho do cu. Acho que sem
Perderia a minha cor e sem ela também a vida.
Eu via o céu
Ele que não me via, senti que
Brilhava só porque eu queria.
Aquele vasto império estelar,
Tal oferenda
Que se ascendia somente com o toque dos meus olhos
E quando eu os fechava para me acomodar nos pesares,
Trazia o céu inteiro comigo
E fazia o que bem quisesse com ele.
As possibilidades estavam espalhadas em cada parte da
imensidão.
É tudo tão bonito, tão podre e tão arbitrário que
Zombei daquele infinito que não sei enxergar,
Para me consagrar um verdadeiro deus
Que vigília a espreita tudo o que lhe pertence.
Tão verme que sou.
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