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sexta-feira, 4 de março de 2016

Dentro das grades quais percorro
Guardam rosas, carros e cachorros.
Esse monte de tijolos cercados
Esconde os corações caseiros
Dessas pessoas que enxergamos
A qualquer hora do dia
Em todo lugar.

São 7h.
Nesse momento estão
Esvaziando seus peitos
Para esvaziar seus lares
E trair-se
 sem que ninguém perceba,
sendo qualquer parte da grande engrenagem.
A multidão te engole.
Meus olhos estão inchados hoje,
Mas os de Cláudia estão muito mais.
Pedro sorri e ele também não está sozinho.
A sociedade segue sua dança uniforme
Um hino que desconhece,
Assim como quem o compôs
Desconhece os dançarinos.

A cidade repete os ruídos universais como
Se fossem orações intimas.
Antes das 18h arrebatar o despropósito escrupuloso,
A palavra ‘saudade’ já foi destinada a 50 mil endereços diferentes,
A palavra ‘força’ já teve 50 mil pesos diferentes,
A palavra ‘respeito’ difundida de 50 mil maneiras,
50 mil desejos incompatíveis no ‘bom dia’.
Até ter direito ao regresso a seus aquários,
Cachorros, carros e rosas.
Novamente está  
O mais próximo possível de sua natureza robótica.
Os novos animais ainda são sede e tesão.

Muito têm se falado no face que
Hoje inaugura um bar novo na cidade,
Certeza de casa cheia.