Dentro das
grades quais percorro
Guardam rosas,
carros e cachorros.
Esse monte
de tijolos cercados
Esconde os
corações caseiros
Dessas pessoas
que enxergamos
A qualquer
hora do dia
Em todo
lugar.
São 7h.
Nesse
momento estão
Esvaziando seus
peitos
Para esvaziar
seus lares
E trair-se
sem que ninguém perceba,
sendo
qualquer parte da grande engrenagem.
A multidão
te engole.
Meus olhos
estão inchados hoje,
Mas os de
Cláudia estão muito mais.
Pedro sorri
e ele também não está sozinho.
A sociedade
segue sua dança uniforme
Um hino que
desconhece,
Assim como
quem o compôs
Desconhece os
dançarinos.
A cidade repete
os ruídos universais como
Se fossem orações
intimas.
Antes das
18h arrebatar o despropósito escrupuloso,
A palavra ‘saudade’
já foi destinada a 50 mil endereços diferentes,
A palavra ‘força’
já teve 50 mil pesos diferentes,
A palavra ‘respeito’
difundida de 50 mil maneiras,
50 mil
desejos incompatíveis no ‘bom dia’.
Até ter
direito ao regresso a seus aquários,
Cachorros,
carros e rosas.
Novamente está
O mais
próximo possível de sua natureza robótica.
Os novos
animais ainda são sede e tesão.
Muito têm se falado no face que
Hoje
inaugura um bar novo na cidade,
Certeza de casa cheia.
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