Ignoro a
voz simpática
“se não foi, não era
pra ser”.
O semáforo
está trancado,
Sinto medo
da viatura parada ao lado e
Pena da
senhora vendendo bala num Sol tão forte.
E isto, era
pra ser?
Com saudade de tudo
Sigo a rua obrigado,
Não com um
revolver na minha cabeça, mas
Uma bomba
na minha cabeça.
Meu currículo
é fraco,
Alguns cursos
o maquilariam.
Curso de
que? Tanto faz.
“ se não
foi, não era pra ser”
Creio que o destino
não é tão engenhoso
Me empurrando
ardilosamente à beira dum precipício.
Isto é
trabalho de fera faminta,
Não posso
com ela, sou pequeno,
a melhor
chance é pular sem cair bater nas pedras.
“se não
foi, não era pra ser”
Tantos
corpos forrando as pedras,
Muitos
outros almoço de onça.
Procuro um
ponto fraco no bicho e
Vejo, ao fundo, seus
filhotes brincando em segurança.
Quando entrega
um currículo,
Está oferecendo
a troca de boa parte da sua vida
Para colaborar
com toda essa inércia da sociedade.
Talvez me
jogue, talvez eu trampe o resto de vida.
“se não foi,
não era pra ser”
Não.
Eu não jogo
cartas, sou submisso mesmo.
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