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terça-feira, 2 de agosto de 2016

Ignoro a voz simpática
“se não foi, não era pra ser”.
O semáforo está trancado,
Sinto medo da viatura parada ao lado e
Pena da senhora vendendo bala num Sol tão forte.
E isto, era pra ser?
Com saudade de tudo
Sigo a rua obrigado,
Não com um revolver na minha cabeça, mas
Uma bomba na minha cabeça.
Meu currículo é fraco,
Alguns cursos o maquilariam.
Curso de que? Tanto faz.
“ se não foi, não era pra ser”
Creio que o destino não é tão engenhoso
Me empurrando ardilosamente à beira dum precipício.
Isto é trabalho de fera faminta,
Não posso com ela, sou pequeno,
a melhor chance é pular sem cair bater nas pedras.
“se não foi, não era pra ser”
Tantos corpos forrando as pedras,
Muitos outros almoço de onça.
Procuro um ponto fraco no bicho e
Vejo, ao fundo, seus filhotes brincando em segurança.
Quando entrega um currículo,
Está oferecendo a troca de boa parte da sua vida
Para colaborar com toda essa inércia da sociedade.
Talvez me jogue, talvez eu trampe o resto de vida.
“se não foi, não era pra ser”
Não.
Eu não jogo cartas, sou submisso mesmo.

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