Pensar em tudo que a vida da e tira, é o mesmo que pensar na vida. Em outras passagens de livros com messias, já dizia que pecado é perdoável, não distante disto estamos nós, que acreditamos, aqui estamos nós, que esperamos, e cansamos de esperar, e percebendo que pecar é saudável, se é perdoável entendi porque é humano errar. O tempo que passou pra nossas línguas deixaram fotos, mas a foto não nos diz o real motivo do sorriso, o sorriso não nos diz qual é a real, talvez ainda lembre, nem que seja meros vutos, que aquele dia especial foi marcado por tragédia, talvez tenha sido especial por amor, talvez tenha sido especial apenas porque apareceu bonito na foto, que seja, especial. Ninguém amadurece por vontade própria, a vida se encarrega disto substituindo ingenuidade por histórias, será que temos muitas pra contar? Se alguém disser que amadureceu porque quis não está maduro, mas sim, virou um chato. Olhando pra traz da pra ver todas as oportunidades perdidas que a vida levou, mas essa é a vida, talvez por erros cometidos, mas, errar é humano, então virou apenas mais uma história e serviu para amadurecimento, nem lembro direito como aconteceu.
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
o quarto solo
Um contrabaixo me da uma nota só
Só um contrabaixo parece que me nota
As pessoas me dão muitas notas
Notas de pessoas mostram como estão sós.
Meu amplificador traz boas lembranças
Boas lembranças amplificam minha vida
Minha vida que ganha volume a cada nota
Notas adotadas, nossas nostalgias denotadas
Frustração quando desafino, finamente disfarço
Melosos dias trás amigos de finos laços
Amigos de finos laços se perdem na melodia
Perdem-se, por não encontrar real harmonia
Amor que tenho pela musica presente a cada dia
A cada hora, a cada kilometro, a cada amém
Triste destino que não me permitiu viver dela
Com ou sem dom, sempre com som, nunca viverei sem
Os retalhos eu encaixo no meu solo
Só refaço um sonho com meu violão
Sonho o que o passado não me deu
Sonho acordado o que já era para eu ter conquistado
Iludo-me a cada cifra, me iludo a cada verso
Acordo desiludido ao acabar mais uma canção
Acordo desiludido trancado no meu quarto.
sábado, 27 de novembro de 2010
Nota fúnebre
A primeira reação ao receber uma noticia de que aquela pessoa que riu, brincou, dançou, fofocou, esforçou-se, não tem mais vida, é aceita como uma mentira por falta de coesão, ou melhor, não é aceita. "Oh Deus, porque raios tem que levar justo ela, o que ela fez de mais, o que nós fizemos?" Alguém parece ter que levar a culpa, porque não quem nos deu vida. Deus cresce ao mesmo tempo em que desaparece nestas horas, é lembrado da mesma forma que quer ser esquecido, Deus é um paradoxo, sempre foi, mas agora é questionado por suas ações ou a falta dela.
A aceitação entra, mas entra como se fosse uma espada samurai afiada, dói muito, queima, e o pior de tudo é que é contagioso, o olhar lacrimoso e inchado é fácil de notar em qualquer rosto que se olha, por um momento são iguais por dentro e por fora, todos dividem a mesma dor.
Durante certo tempo não escutamos nada, vemos imagens em nossos pensamentos como se passasse um filme mudo. Aos poucos, começamos a escutar vozes amigas que tentam consolar, mas não entendemos o que quer dizer, por falta de foco e porque as palavras estão embaralhadas assim como a de todos, mesmo assim são muito bem vindas e de certa forma ajuda.
Ao ver pela ultima vez, já imóvel, já sem brilho, já sem vida, só nos resta despedir, dizemos: vá com Deus. Pensamos: volte pra mim.
(homenagem a Manu)
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
Ilusão por Indução
Se todo o ressentimento de não possuir algo ostentável criasse forma e virasse sólido? A insônia induzida pelo apelo de não conseguir mais sonhar, ou melhor, não querer, acabaria lhe tirando o sono propositalmente sem querer. As iniciativas do pensamento simplório lhe assombrariam, soariam o pesar da consolação de mais um perdedor derrotado, sim, conseguiria até mesmo ver a diferença do perdedor e do derrotado e se auto intitular de ambos erroneamente, ou não.
Prestígio, regalias e ser adorado falsamente, foda-se, o que os olhos não vê o coração não sente. Pensa ter o mundo em suas mãos, então observa o seu mundo atentamente, mas inexplicavelmente conseguem fugir de seu campo de visão e fincar-lhe uma faca contra suas costas. Acha que tem o mundo aos seus pés, mas quem não tem?
-Hey, acorde, pra quem não dormia ein.
Tragédias alheias lhe soam pertinente. Desvios de focos vão detonando com sua inspiração e faz com que a vida chata e rotineira tenha alguns destaques, um acontecimento casual que se mostra mais interessante que a própria vida. Nada mais lhe faz sentido, já que nada pode ter, entretanto, a única coisa que tem é o conformismo involuntário trazido pelos outonos costumeiros, vazios. A vida parece ter resistência a emoções fortes, tudo lhe diz para não desistir, ao mesmo tempo em que tudo faz não tentar, e tudo lhe leva a uma peregrinação ociosa, tudo o que nunca quis.
Esperançoso de que o amanha possa lhe trazer o que sempre esperou mesmo não sabendo o que seja, mas certo de que vai espantar a rotina, levantar sua vida e fazer com que possam finalmente chamar por seu nome em vão, sim, quando acordar vai ser diferente, se acordar, se dormir, só assim poderá viver.