Se todo o ressentimento de não possuir algo ostentável criasse forma e virasse sólido? A insônia induzida pelo apelo de não conseguir mais sonhar, ou melhor, não querer, acabaria lhe tirando o sono propositalmente sem querer. As iniciativas do pensamento simplório lhe assombrariam, soariam o pesar da consolação de mais um perdedor derrotado, sim, conseguiria até mesmo ver a diferença do perdedor e do derrotado e se auto intitular de ambos erroneamente, ou não.
Prestígio, regalias e ser adorado falsamente, foda-se, o que os olhos não vê o coração não sente. Pensa ter o mundo em suas mãos, então observa o seu mundo atentamente, mas inexplicavelmente conseguem fugir de seu campo de visão e fincar-lhe uma faca contra suas costas. Acha que tem o mundo aos seus pés, mas quem não tem?
-Hey, acorde, pra quem não dormia ein.
Tragédias alheias lhe soam pertinente. Desvios de focos vão detonando com sua inspiração e faz com que a vida chata e rotineira tenha alguns destaques, um acontecimento casual que se mostra mais interessante que a própria vida. Nada mais lhe faz sentido, já que nada pode ter, entretanto, a única coisa que tem é o conformismo involuntário trazido pelos outonos costumeiros, vazios. A vida parece ter resistência a emoções fortes, tudo lhe diz para não desistir, ao mesmo tempo em que tudo faz não tentar, e tudo lhe leva a uma peregrinação ociosa, tudo o que nunca quis.
Esperançoso de que o amanha possa lhe trazer o que sempre esperou mesmo não sabendo o que seja, mas certo de que vai espantar a rotina, levantar sua vida e fazer com que possam finalmente chamar por seu nome em vão, sim, quando acordar vai ser diferente, se acordar, se dormir, só assim poderá viver.
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