A primeira reação ao receber uma noticia de que aquela pessoa que riu, brincou, dançou, fofocou, esforçou-se, não tem mais vida, é aceita como uma mentira por falta de coesão, ou melhor, não é aceita. "Oh Deus, porque raios tem que levar justo ela, o que ela fez de mais, o que nós fizemos?" Alguém parece ter que levar a culpa, porque não quem nos deu vida. Deus cresce ao mesmo tempo em que desaparece nestas horas, é lembrado da mesma forma que quer ser esquecido, Deus é um paradoxo, sempre foi, mas agora é questionado por suas ações ou a falta dela.
A aceitação entra, mas entra como se fosse uma espada samurai afiada, dói muito, queima, e o pior de tudo é que é contagioso, o olhar lacrimoso e inchado é fácil de notar em qualquer rosto que se olha, por um momento são iguais por dentro e por fora, todos dividem a mesma dor.
Durante certo tempo não escutamos nada, vemos imagens em nossos pensamentos como se passasse um filme mudo. Aos poucos, começamos a escutar vozes amigas que tentam consolar, mas não entendemos o que quer dizer, por falta de foco e porque as palavras estão embaralhadas assim como a de todos, mesmo assim são muito bem vindas e de certa forma ajuda.
Ao ver pela ultima vez, já imóvel, já sem brilho, já sem vida, só nos resta despedir, dizemos: vá com Deus. Pensamos: volte pra mim.
(homenagem a Manu)
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