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sábado, 27 de novembro de 2010

Nota fúnebre

A primeira reação ao receber uma noticia de que aquela pessoa que riu, brincou, dançou, fofocou, esforçou-se, não tem mais vida, é aceita como uma mentira por falta de coesão, ou melhor, não é aceita. "Oh Deus, porque raios tem que levar justo ela, o que ela fez de mais, o que nós fizemos?" Alguém parece ter que levar a culpa, porque não quem nos deu vida. Deus cresce ao mesmo tempo em que desaparece nestas horas, é lembrado da mesma forma que quer ser esquecido, Deus é um paradoxo, sempre foi, mas agora é questionado por suas ações ou a falta dela.

A aceitação entra, mas entra como se fosse uma espada samurai afiada, dói muito, queima, e o pior de tudo é que é contagioso, o olhar lacrimoso e inchado é fácil de notar em qualquer rosto que se olha, por um momento são iguais por dentro e por fora, todos dividem a mesma dor.

Durante certo tempo não escutamos nada, vemos imagens em nossos pensamentos como se passasse um filme mudo. Aos poucos, começamos a escutar vozes amigas que tentam consolar, mas não entendemos o que quer dizer, por falta de foco e porque as palavras estão embaralhadas assim como a de todos, mesmo assim são muito bem vindas e de certa forma ajuda.

Ao ver pela ultima vez, já imóvel, já sem brilho, já sem vida, só nos resta despedir, dizemos: vá com Deus. Pensamos: volte pra mim.

(homenagem a Manu)

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Ilusão por Indução

Se todo o ressentimento de não possuir algo ostentável criasse forma e virasse sólido? A insônia induzida pelo apelo de não conseguir mais sonhar, ou melhor, não querer, acabaria lhe tirando o sono propositalmente sem querer. As iniciativas do pensamento simplório lhe assombrariam, soariam o pesar da consolação de mais um perdedor derrotado, sim, conseguiria até mesmo ver a diferença do perdedor e do derrotado e se auto intitular de ambos erroneamente, ou não.

Prestígio, regalias e ser adorado falsamente, foda-se, o que os olhos não vê o coração não sente. Pensa ter o mundo em suas mãos, então observa o seu mundo atentamente, mas inexplicavelmente conseguem fugir de seu campo de visão e fincar-lhe uma faca contra suas costas. Acha que tem o mundo aos seus pés, mas quem não tem?

-Hey, acorde, pra quem não dormia ein.

Tragédias alheias lhe soam pertinente. Desvios de focos vão detonando com sua inspiração e faz com que a vida chata e rotineira tenha alguns destaques, um acontecimento casual que se mostra mais interessante que a própria vida. Nada mais lhe faz sentido, já que nada pode ter, entretanto, a única coisa que tem é o conformismo involuntário trazido pelos outonos costumeiros, vazios. A vida parece ter resistência a emoções fortes, tudo lhe diz para não desistir, ao mesmo tempo em que tudo faz não tentar, e tudo lhe leva a uma peregrinação ociosa, tudo o que nunca quis.

Esperançoso de que o amanha possa lhe trazer o que sempre esperou mesmo não sabendo o que seja, mas certo de que vai espantar a rotina, levantar sua vida e fazer com que possam finalmente chamar por seu nome em vão, sim, quando acordar vai ser diferente, se acordar, se dormir, só assim poderá viver.