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domingo, 9 de junho de 2013

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Para que tantas palavras?
Jura ser para se defender em discórdia
Quando vierem te socar o que, para outrem, é misericórdia
Enquanto ouvires de outras histórias
Uma dor que não nos cabe,
E a palavras cabe menos, ouviste
Uma dor criptografada
Mas que apenas se sente quando se vive
Na pele, camada vistosa, única racionalizada.
Se ver e me mostrar,
Se chocares a ti e em mim,
Se doeres em ti e em mim,
Se, não por acaso, compartilharmos da mesma emoção
A ponto de ficarmos sem palavras
Eu pergunto, irmão
Para que tantas palavras?
(E eu me recuso a mencionar a razão de não se dar o trabalho de falácias e blasfêmias)

Deixa-me criar a beleza perfeita,
Quando não desmentido até deus é verdadeiro.
Só não me diga isto.
Não diga o que vos cega, menos ainda o que vos guia
Certamente ocorrerá uma inversão de sentido,
E das suas trevas me virá um motivo de alegria
Na minha fé, lhe parecerei um signo de anti-cristo
E me rompe as sensações te perder todo dia.
Dia a dia, isto, tenho vivido
E o atrito que nos resta são cruzes de olhares
O peito se enche de compaixão, repentino perdão dos pesares
Porém, qualquer diálogo eu evito
Só uma palavra apazígua o falso sentimento de culpa
“Desculpa”, mas se persistirmos em palavras logo virá,
“Filha da puta”. Culpa. Desculpa. Filha da puta
Eu pergunto, amigo
Para que tantas palavras?

Quer mesmo eternizar sua alma em outras?
Lhe é insuportavelmente sôfrego o fim da fala?
A paz global não é segredo teu para que tu não morra
A desordem mundial é justamente a discordância de opinião,
Sua herança herdada de outro tempo, outro mundo, outra geração
Engole-nos nos preceitos de sentidos pelo bem social
Eu indivíduo vivo, ainda duvido ter a minha compreensão
E não ser mal visto, assegurado pela constituição
Que tu faz tanta questão
Utopia idiota, muito dita pelos loucos alucinados
Que arrastam papelões desnutridos de perspectivas
Sem como custear seu gritos desesperados de vida, daí
Tu ergue espadas para proteger e fugir daquele que de tão frustrado
O que menos lhe atormenta é a fome, daí
Tu persiste em validar seus medos com exemplos,
E dos exemplos razão para validar o que havia só em silencio na alma
E nunca ousado dizer a si mesmo, este egoísmo de nosso desejos
Eu pergunto, filho
Para que tantas palavras?

Abrace-nos
Beije-nos
Sorria-nos
Sejamos
E não se intimide com o silêncio se ele lhe incomodar
Ainda me interesso por sinceros votos de fraternidade
Nos sentimos tanto, e isto nos causa tamanha estranheza
Que tornou-se clichê usar
“Não tem como colocar em palavras...”
Mas sinto, sabe que sinto, então
Eu pergunto, amor
Para que tantas palavras?

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