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sexta-feira, 21 de junho de 2013

Confidências de um gigante que acordou aturdido


Sou hipócrita experiente,
Daqueles que sabe onde tudo termina.
No infinito dos desejos
Dos desejos infinitos

Sou desleixo exigente
Conquistando com muito esforço
Uma paz espiritual, um equilíbrio
Em meio à insegurança de espírito

Sou dúvida convincente
Que reproduz para sentir que produz
E produz para compensar o que não se diz.
Não diz a si o que lhe é convicto

Sou órfão inerente
Esperando um futuro indolor e silencioso
Culpando culpados do passado
Para justificar todos meus vícios

Sou fortaleza transparente
Que venço o mundo e perco para mim todos os dias.
Busco luz na minha obscuridade
Para ter a opção de negar o explícito.

Sou rebelde complacente
Que se diferencia em seu ideal comum de sair da rotina
E descarta o conforto para ter regalias.
Engasgo ao me engolir sendo mais um mesquinho.

Sou apelo não urgente
Uma má gestão de mim mesmo
Que conduz prioridades a esmo
E cada promessa feita são reles palavras de um corrompido.

Sou sorte de um azar pendente
Consequência desse eterno impasse livre
Que se embala nas ruínas de meu declive
E cansado tenta se alimentar num pomar infrutífero.

Sou anti-lei vigente
Que nega o mais lindo sonho
Supondo ordem no que me é imposto
Diálogo abertamente restrito.

Sou ódio prudente
Que não insiste para, assim, se convencer.
Legitima farsa que se vangloria ao
Ganhar espaço no vazio.

Sou frustração prepotente
Maior que a fome só tenho o ego
Maior que a fé só a cruz que carrego
Gozando de ter meu alicerce nesse precipício.

Sou escravo presidente
Lutando pela abolição da decisão,
Por falta de dores
Ou amores definitivos.

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