Feito quem não pôde concluir
diferente,
Reconheço, este, meu lugar,
Raso e longínquo,
Do qual me sirvo e a quem mais serve,
Como única maneira de contentamento.
Admito
A felicidade congênita de ser vivo
Com o infortúnio contingente de viver
Em formato de solo pisado.
Feito o chão que sustenta o corpo,
Formo, junto a milhões de irmãos,
Um corredor imóvel a sustentar
Uma passeada esnobe da classe operante.
Pisam-me os quem tem movimentos.
Porém, da ação pouco possível
Não me abstenho.
Difiro-me das calçadas de centro,
Planejadas para serem bonitas e
resistentes,
Que não sentem, na pele, a pressa dos
sossegados e,
Caso se rompam, são facilmente
substituíveis.
Ou também das ruas periféricas,
Mal-feitas para durar sub passos
indiferentes.
Construídas para quem não anda.
Não que eu seja lá grande coisa,
Mas, ao menos,
Imenso dentro do que posso ser.
Sou chão poeiroso
Que prefere a beira de estrada.
Refeito a cada vento,
Traiçoeiro em tempestades,
Que encarde os sapatos brancos e,
Apesar de ser atravessado contra a
vontade,
Antes, tomam-lhe tento.
Para isto, basta a naturalidade em ser.
Inspirar como se tragasse ar
E soltá-lo para continuar bem e
Jamais creditar à vida
Algo mais intenso que este compasso.
Por vida, é o máximo que posso ser.
Igualdade, a morte é a única quem
dará.
A concepção é uma das poucas largas
escolhas.
Não se afobe, precioso pequenino.
Quanto menor for,
Maior será o infinito
A permanecer distante.
Se eu fosse céu,
Que céu teria eu?
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