Por acaso, passaste ainda menina,
Num tempo que era nosso,
Sequestrando a minha retina
Sem o menor propósito
De voltar um dia a ser minha
Como era no tempo da foto.
Em sua imagem a sorrir
Eu era margem de sua alegria
Que por falha da engrenagem
Não mostrou que eu existia
Fato não prova nada,
Eu nem estava na foto.
Estava na data.
Eu não estava na festa,
Não sei onde estava
Mas, pela hora, te amava
Será que na foto me falta?
Fixei-me numa quase fotonovela,
Não expressão da arte fotogênica contemporânea
Apenas, lembranças da minha cela
Ainda não havia a sociabilidade instantânea
Hoje em dia, muito pouco a foto revela
Além da ansiedade espontânea.
Quem vê fotos enxerga também o implícito e o interno
E qualquer foto naquela altura te trará aqui.
Fotos são insuficientes para dizer o que deixa de eterno.
Pois sei que eu também estava, e muito, ali
Presente no SMS do celular, na carteira ou no final do
caderno
Talvez eu exista mais naquela foto que nem sequer saí
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