Ouvia o que eram os carros
Enquanto bebia minha cerveja, já quente,
Brisando de leve na minha cama (que dia é hoje?)
Olhava para as páginas gastas do livro do desassossego
Pois todo o resto era caos.
Esqueci, meio de
propósito, o chão para varrer
Hegel, Focault e Hannah Arendt
Uns copos na pia para jogar água e
Alguns parentes para ter saudade
Como aquela gente que pulsa e respira
E enxerga sentido oculto nas coisas.
Mas, o gato teve sua ração na hora,
Não antes dele mesmo me lembrar disto.
Qual barulho é mais alto daqui do quarto,
O ronco do motor ou o do pneu rolando sobre o asfalto?
Passei mais quatro páginas, como costume,
Sem compreender o que li, então voltei as quatro.
O cigarro é aceso,
Corro procurar o cinzeiro antes de precisar da vassoura
E resgatar o ódio sobre meu relaxo.
Assim, os minutos são mais fáceis de controlar
Do que a garota de blusa azul que escreve poesias.
Acho que não estou só
Quantas almas peregrinam nessa tarde
Tão despercebidas quanto eu?
Que vivo a consumir para
Fugir de tudo que me consome.
Que tento sumir
De um mundo que não some.
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