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terça-feira, 24 de junho de 2014

atrasados

Nunca senti gosto naquele ciclo patético.
A profecia era deles, mas eu sabia
Exatamente como acabaria.
O Sol já não era tempo,
Quem dava o tempo era um aplicativo.
Uma lâmpada,
Não a ideia.
Os dias então se tornaram iguais,
Previsíveis,
O mundo cabia numa privada
E as pessoas num umbigo.

Quando alguém no ponto,
Largava o iPhone e
Desandava a falar virava sinestesia.
As palavras saiam com formas de sites e
Cores de bandeiras.
Opinião assim era compartilhada.
A cerca da política, superficialmente,
Chutavam os planos certos para a sociedade
Como algo a concluir,
Porém, encaravam as suas vidas
Como se fossem eternas.
Depois, em orações,
Repetiam esta lógica, mas dizendo da alma.
Nunca uma vida amarga
Foi tão fácil de engolir

Alguns tentaram
Ajustar o relógio dessas pessoas
Para o tempo presente, porém,
Desconfiadas, elas passaram a esconder seus relógios.
Não diziam mais nem a marca.
Apenas resmungavam a verdade consentida
“Política e religião não se discute”.
Quem persistisse ganhava o título de louco,
Chato, briguento, enfim, inconveniente.
O resto voltava para suas vidas
De vender o ontem para pagar o hoje
E conformar-se de só lucrar
Quando não houver mais um amanhã para quitar,
Ou será o amanhã que tanto esperaram?
Ah, essa dúvida
Continuará sendo a maldita herança a
Ser passada de geração em geração.
A única herança que deixarão a seus filhos e
Matará os meus, mesmo
Muito antes de morrerem.

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