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domingo, 13 de julho de 2014

Desintenção

Enquanto corria de carro,
Esperando a gente chegar,
Perseguindo o horizonte num traço cinza,
Com a licença das fazendas,
Pasto gigante,
Contava, um a um, os bois comendo o mato.
Ou fribois, coletivo patenteado.
Talvez essas contagens transeuntes
Seja o único momento individual
Que este beef em engorda tenha
Antes de arder e escorrer no carvão.
Bichos tão entediantes quanto meu tédio.  
Restavam olhos, orelhas,
E um rabo chacoalhando,
Chicoteando as moscas que gostam do cheiro de bosta.
 Por isso, não consegui vê-los nitidamente,
Não no sentido “sinônimo de qualidade” da palavra.

De quantos metros de chão eu preciso
Para fazer o que quiser de um vício epidêmico?
Com quantos segundos no intervalo da novela
Se inventa uma tendência?
Quanto custa
Ganhar dinheiro de todo mundo?
Aposto que esses bois se perguntam a mesma coisa,
Mascando e contando os carros.

Bicho sem sorte.
Melhor é aqui dentro
Que troca a música e chega a algum lugar.
Chego,
Rendido de fome e
Após esperar mais de 20 minutos na fila da engorda
Pergunto ao carniceiro:
"O que tem bom e barato pra churrasco?
Friboi não, muito caro e esse bichos são todos iguais."
O segredo é o tempero e a mão do churrasqueiro.

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