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terça-feira, 15 de julho de 2014

"Fácil como mentir"

A solidão lhe apavora.
O álibi perfeito da tristeza
Para matar certezas.
Diga que o tiro veio de fora.

Demonstre surpresa,
Com balas de cereja guardadas
Revele as intenções lapidadas
Sem esvaziar a cerveja.

Imite o movimento que dá vida ao rosto
Pessoas são músicas, filmes, jogos, livros,
Boates, boatos, setores, cozinhas, salas e vícios.
Um buque enquanto examino seu gosto.

Poesia moderna racha a conta
Então descem a rua feito rima
Acompanham-se em cada esquina
Beleza ouvida ao unir de pontas

O toque suave das bocas espanta os olhares pesados
Cada mão cria dez dedos e os pés já não chutam pedras
É anestesiado pela fala de sua nova coberta
E a avenida que passa já não é mais como tem passado

Esforce-se o máximo antes de dormir,
No dia seguinte amara, mas demorará admitir
Se é solidão que lhe apavora
Pode ficar tranqüilo agora.
Conseguiu, pelo jeito mais fácil, mudar a realidade

Sem precisar, sequer, mudar de cidade.

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