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quinta-feira, 21 de agosto de 2014

desiquilíbrio entre dia e noite



O silêncio não pairou sobre o fim do dia,
Nem cá, nem lá.
Restando corpo e tempo em desacelero
Encolhido sobre uma esfera estranha
Da qual tanto recuso durante a postura reta.
O caos é uma pedra incandecente
Mantida entre olhos e pálpebras
Vindo a refletir a incompreensibilidade sempre as escuras,
Deixando-me sem dormir.
Se é mesmo verdade que espíritos são amaldiçoados
Ao deixarem algo em vida por fazer,
Tendo assim que permanecer a assombrar uma mesma casa
Pelo resto de muito tempo,
Essa sensação só pode ser um sinal.
Meu espírito se contorcendo e gritando
"Não me deixe aqui pela eternidade,
Não com essa imagem deszelada,
Levante, peça desculpa ou a mande ao
Raio que o parta.
Vista a dignidade também dentro de casa".
Fico com realidade macia da minha coberta,
Permaneço com essa azia, tal descoberta
Que há de existir uma questão para eu decifrar,
Salvar o mundo e finalmente dormir.
Reviro-me como se a resposta
Fosse descolar da mente e rolar ao colo.
Claro que não rola.
A auto referencia é o pai da mentira,
Ora, então cade o diabo desta parábola?
Alguém faça o favor de receber as minhas culpas
E me deixar dormir.
Vizinha? Chefe? Presidente? Adolf Hitler?
Neoliberalismo? Funk Ostentação?
Vinde a mim receber vossos quinhões.
Não quero levantar mais e ter ao alcance
Apenas um copo d'água gelado
ou esses pontos verdes para bater papo.
Nem dedo ou alma suportam mais
Conversar com o editor de texto.
Até a TV que em muitos repousos me guardara
Já não passa duma maldita trombeta do apocalipse
A me incomodar também.
A propaganda anuncia que o mundo continuará desonesto
Após o Jô Soares.
Confortável como numa cadeira elétrica,
Numa espera ansiosa,
Sabendo que o tempo não resolve nada,
Porque amanha virá outra noite dessas
Se eu não tomar alguma previdência
De promover a paz mundial ou
Conseguir logo uma maneira de me entorpecer.
Com um pouco mais de sorte isto não seria um quarto,
Seria um bar
E teria um velho engraçado a me desentediar
Com sua esperança alheia,
Uma menina descontente com a atitude
Dos tiranos e
Meus amigos tocando violão
Preparando-se para mais um dia de sonhos.
Mas não, estou só e sem sono algum
Pensando no que será que eu deveria pensar
Para me preencher de harmonia.
Só nesta casa existem seis quartos
Quem se conformar por ultimo tranca as portas e apaga as luzes.
Por fim, também é justo.

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