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terça-feira, 20 de janeiro de 2015

César nos corredores do barraco

Eu tinha o mundo nas minhas mãos
Um horizonte em meus olhos
As questões em minha cabeça
As razões no meu coração
Um Sol em minha alma
Minha'lma num corpo e
Meu corpo parado na cozinha.

Foi quando vi.
Flagrei-me conformado
Apoiando o abridor de latas na armadura da sardinha,
Com meus olhos de peixe
Apontados para a maçaneta da porta,
Guardando uma boa distância dela,
Enquanto a desvontade anulava o movimento.
Perguntava-me sobre o que fazer da vida,
"comer sardinha ou subir no selfie-service".
Lá se foi meu último credo.

A impressão é que a porta
Já não separa o quintal da cozinha.
Sua travessia, um passeio  a vácuo
Culminando na mesma cozinha,
O destino sendo o retorno,
Com a cara de sempre e algumas sacolas vazias
A mais no puxa-saco e umas necessidades
A menos no dia.

Os dias passavam como o cobrador de impostos
Esgotando toda minha riqueza.
E eu só tinha, cada vez menos, tempo.
Mas olhar para a janela já não me libertava,
Esperava melhor efeito vindo do
relógio a pilhas,
Enquanto sonhava com saídas impossíveis
dentro de mim mesmo.

Estou bem,
Digo, o ar está abafado lá fora
E aqui posso andar pelado.
Não podemos sair desnudos,
Temos que nos transvestir.
Realmente, estou muito bem aqui!

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