Marcadores

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

o eco

Um grito ecoou
Ao homem da cidade.
Com dois ouvidos ouviu
O mesmo que um ruído,
O mesmo de sempre, que já conhece
Conhece tudo por ali,
O sentido das ruas e seus cruzamentos,
Os murais das moradas,
O pórtico das lojas,
A sombra viva e a sombra morta,
Distingue
Os carros por nomes,
As marcas por cores,
Os costume pela forma,
O hábito pelo traje,
A origem pelo modo.
Aconselha
Sobre dor do corpo,
Sabor do alimento,
Limpeza do chão,
Menu do outbeck,
Bolão da rodada.

De tempos em tempos
Intriga-se
Quem são estes a dividir a cidade
Numa harmoniosa melancolia?
Quem são estes que meus amigos
Chamam de amigos?
Quem são estes a recolher todo
o leite da prateleira?
Quem são estes que curtem e
adoram a mesma deusa?
E pergunta mais do que seja
a dúvida de uma estrela solitária
Até o estômago se contorcer
de fome e seu brilho amarelar.

Tentei engolir o mundo
E uma inflamação se instalou na garganta,
Ao invés de tomar um copo d´agua,
Quis gritar aos homens, mas
O eco que retornou acabou
por me queimar.

Nenhum comentário:

Postar um comentário