As vezes eu sinto como se o mundo fosse meu, e mesmo assim eu perdi todo o controle, vai ver é assim que Deus se sente. Não, é diferente. Meu espelho já está cheio de rugas e de cabelos brancos, são tantos que sinto que ele quer se matar apenas para me ferir, me rogar alguns anos de má sorte, mas, acho que não precisa. Por que o mundo não é meu? Seria não mais fácil jogá-lo fora. Mas, acho que Deus pensa diferente, diferente do meu espelho. Você as vezes se incomoda pelo simples fato de não enxergar o fim do céu? Eu me incomodo muito com isso, e mesmo assim parece que sinto todo seu peso em minhas costas. Consegue se acomodar sabendo que não vai conhecer o mundo inteiro? Então por que vejo as latas meio vazias estáticas dizerem em comunhão que o céu é o limite? Durmam bem crianças. Vai ver é isto que me traz tanto peso, não, isto está divido. E os prédios? Já reparou a movimentação dentro deles? Estão nos centros. Já reparou a movimentação dentro destes? As pessoas vêm e vão toda hora, com o mesmo propósito e sem o mesmo objetivo. Parecem zumbis. Porém não me incomodam, nem me notam e creio que estão dividindo o peso comigo. Vai ver eu também seja um zumbi. Com tanto peso assim estes prédio vão acabar desabando, mas, não me incomoda, nem vão notar e só vão tossir um pouco. Vão acabar criando um vírus que não existe, uma vacina que mata velhos, acabar com o coletivo da espécie de um fazendeiro qualquer e construir novos prédios. Então está tudo bem. Assim vai passando o ano, o ano que será marcado por alguns dias, estes dias que serão recortados para virar boas recordações, estas que farão meu passado, o passado que está em forma de uma cela e me fez prisioneiro sem ao menos conhecer todos os lugares do mundo. Triste. Do dia para noite suas verdades são mentiras, suas ideologias caem e você não tem mais no que se apoiar. O amor se esgota feito poço que de pouco em pouco se extrai uma quantidade do que se é vital, de pouco em pouco o amor vai secando com o consumo viciante. Preferia que fosse água corrente, que se vai e a gente nem percebe e se secar para mim, vai secar para todos. E os amigos? Bando de interesseiros. Não os conheço mesmo possuindo alguns. Posso contá-los na mão, mas será que posso contar com eles? Será que posso contar para eles? Prefiro os zumbis que vem e vão. Porra, eu não posso viver sem amigos, mesmo sendo outro poço ainda mais incerto. Não quero morrer de sede. Quem sabe de poço em poço eu conheça alguns lugares bacanas que por fim me tranquem em uma cela mais confortável e com um teto mais resistente aliviando assim um pouco deste peso. O que meu espelho me diria uma hora dessas? No mínimo que eu pareço um zumbi. E o que Deus me diria uma hora dessas? Droga, Deus não fala.
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