Pensou que estava madura
Quando perdeu a vontade de
Voltar a ser criança.
Quando o coração opaco
Não impediu o sorriso
Na manhã de segunda
que não relutou a se levantar
No esquivo da crise
Quando se fez útil
Mesmo na merda
Pensou que estava madura
Quando notou
Quão curto eram seus braços,
Demais até para cruza-los.
Amadurecer, para ela,
Foi aceitar seu fracasso
Aceitar o fracasso de todo mundo.
Assim,
Convencera-se ser mais humana,
que amava mais.
Convencera-se até, isto, ser o único
sucesso.
Tudo que plantou cresceu
Tomando seu jardim.
Se a revolta do mundo te inflamava
A paz de seu quintal lhe entorpece.
Se era fogo,
Hoje é vegetal.
Não se iluda, meu bem,
Olhe para nós dois.
Estamos aqui novamente
Pensando ser algo novo,
E somos,
Nada mudou.
A pressa lhe fez esquecer,
Mas, no tempo que resta
Finge finalmente entender com clareza.
Pensa que o mundo finalmente silenciou
Desde o dia que ficou surda.