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quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Viver não é preciso


O mal do mundo
É o indivíduo depressivo.
Não o sujeito infeliz,
Que com tempo
É um pouco todos nós.

É quem ganha a atenção
Aos berros de dores
Por espinho de rosas.
Não mal de natureza injusta,
De auto defesa,
Que rasga e mata.

O mal do mundo está no
Desgraçado que nos sufoca.
Que não respira, desabafa
Todas as incoerências
Que conseguir contar
Num só impulso, e
Vomita como se o chão fosse seu.

Estorvo
Que sofre feito quem sonha.

O indivíduo depressivo
Remove diariamente
As cascas de sua chaga
Com a língua.
Tem sua cicatrização regada.
Faz nascente com os olhos
E do pensamento quedas
Cria inimizade contra a própria mão
Que enfim, lhe afoga,
Antes que pudesse navegar
onde já cessou a correnteza.

A depressão se instala
Na falta de convicção,
Nas ações infrutíferas, digo,
Ficar pedalando sem a corrente.
E há depressão em tudo,
Na politica, na religião,
No amor e até no consenso.
Há depressão na fuga
Para onde quer que seja,
Que não um buraco no solo
Para guardar teus restos,
Virar raiz de
Qualquer coisa rumo a luz.
Quem dera elevar poemas,
Ou então que seja bombas, ou ainda
Bomba-poema (jamais saberei).

Dê uma chance a si,
Tire sua vida da memória.
Veja as cores desse tormento,
As formas da nossa destruição,
Ouça essa música que embala
Este nosso percurso trágico
E saiba que esse sofrimento
Não foi feito pra você,
Assim como alegria alguma.

Sangre em paz ou faça sangrar,
Pois todo viver há de pulsar.
De males, já têm tudo de 
Desagradável ou insignificante no mundo,
Não seja tu mais um.

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Espelho d'agua


A campainha me acordou
E arrastou-me até a porta,
Novamente tocada pelo
Inconsciente Coletivo

Maior e mais forte
É o Inútil Expressivo.
Basta apenas vontade para me matar,
Mas ele é pacífico.

O senhor Individualismo de Massa
Tem sofrimento específico
Diariamente me acorda com a campainha e
Esbarra-me na entrada de seu edifício.

Ele vem em casa reclamar
Da praia já não ser mais a mesma.
Que hoje em dia há arrastões
E muita gente feia.

Mas eu o compreendo mal
Para saber se falamos da mesma praia
Da porteira de mão de obra,
Ou do fundo de seu quintal.

Com certeza
A praia não é a mesma,
A onda que vem
Quando volta é correnteza.
Só não enxerguei, nos arrastados,
Essa idolatrada beleza.
E, principalmente, desde que chegaram
A praia não é mais a mesma.

Viemos todos cuspidos por este mar,
Incomoda-se com sua própria essência,
Eu não me incomodo com a minha,
Vá à praia e deixe minha campainha.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

A casa abandona



Você já não está e eu fico te recriando,
Fazendo questão de manter uma saudade.
Feito quem sente falta de uma infância miserável.
Vivendo para compensar uma imagem fragilizada
Para que ninguém nunca sinta pena de mim
Como eu sinto do meu redor.
Dessas pessoas mal amadas e sem infância.
Das minorias na fila da degola.
Da minoria no leito de engorda.
Ou da maioria, essas pessoas mal amadas e sem infância.

Você já não está.
Não há mais aqui minha criança ingênua,
Tímida, estreando as roupas usadas.
Rezando justiça à deus antes de dormir.
E que sorria no campo minado.
Não aceitamos nunca perder o desafio pessoal para vida,
Nem para o amor
Que eu fico recriando em abraços, beijos,
Sexo, onipresença e transcendentalização.
Insistindo em me proteger atrás desse escudo imaginário,
Inutilmente.
Tentando achar explicação
Por passar o dia inteiro olhando para a parede suja,
Dando ouvidos ao Humberto Gessinger e
Procurando alegria nesses blogs de humor instantâneo.

Cansei de te recriar.
De inventar essa saudade obscena.
Vou recriar a mim mesmo
Pois é só o que há.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

-A-


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Odiei a norma,
A forma do motivo,
O incentivo a ação,
A munição de guerra.

A terra com dono,
O abando do pecado
Ditado por interesses
Que não nos merece, jamais engoli.

As portas abertas
Interessaram-se mais por mim
Que eu por elas

As portas trancadas
Não há chaves para todos nós,
Prefiro pular janelas

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Regresse à tua frente


Meu amor, volte-me e
Pare de bancar a retardada.
Faça esse cara parar
de bancar o retardado

Tua vida
Tem sido tão áspera
Que cegou
A faca que me cravou?

Pensei que me dera uma lição.
Aprendi por tanto pensar
E quando penso em lhe agradecer
A tua risada extravasa,
Sua despreocupação preocupa,
Teu coração ludibria seus olhos
(como quem olha fixamente a sombra que encosta ao fundo de uma caverna)

Questiona o significado de ser feliz
Como desculpas dadas.
Dá valor demais a isto.

Como tudo que se dá na vida
Só posso afirmar de mim.
E tenho em mim contido,
No corre dos dias tristes,
A vontade de ser criança,
Mas não volto.

Meu amor, volte-me e
Pare de bancar a retarda
Faça esse cara parar
de bancar o retardado.

Pensando que a vida renovou
Escolheu-me novamente
Em outro corpo
Como quem quer voltar a ser criança.
Me fode pensar que passara por dias tristes.

Era condição
Afundar-se no buraco
Que me tirou?
Pensei que me dera uma lição.

Não pense que meu amor é um regresso
Pois voltei para te lembrar
O rumo que traçara.
Na verdade só posso dizer isto
Por te encontrar no cruzamento
De mãos opostas

E tudo que poderá me dizer
É que isto é ciúmes,
Somente,
E nos dias de hoje,
Será seu único pensamento sensato.