O mal do mundo
É o indivíduo depressivo.
Não o sujeito infeliz,
Que com tempo
É um pouco todos nós.
É quem ganha a atenção
Aos berros de dores
Por espinho de rosas.
Não mal de natureza injusta,
De auto defesa,
Que rasga e mata.
O mal do mundo está no
Desgraçado que nos sufoca.
Que não respira, desabafa
Todas as incoerências
Que conseguir contar
Num só impulso, e
Vomita como se o chão fosse seu.
Estorvo
Que sofre feito quem sonha.
O indivíduo depressivo
Remove diariamente
As cascas de sua chaga
Com a língua.
Tem sua cicatrização regada.
Faz nascente com os olhos
E do pensamento quedas
Cria inimizade contra a própria mão
Que enfim, lhe afoga,
Antes que pudesse navegar
onde já cessou a correnteza.
A depressão se instala
Na falta de convicção,
Nas ações infrutíferas, digo,
Ficar pedalando sem a corrente.
E há depressão em tudo,
Na politica, na religião,
No amor e até no consenso.
Há depressão na fuga
Para onde quer que seja,
Que não um buraco no solo
Para guardar teus restos,
Virar raiz de
Qualquer coisa rumo a luz.
Quem dera elevar poemas,
Ou então que seja bombas, ou ainda
Bomba-poema (jamais saberei).
Dê uma chance a si,
Tire sua vida da memória.
Veja as cores desse tormento,
As formas da nossa destruição,
Ouça essa música que embala
Este nosso percurso trágico
E saiba que esse sofrimento
Não foi feito pra você,
Assim como alegria alguma.
Sangre em paz ou faça sangrar,
Pois todo viver há de pulsar.
De males, já têm tudo de
Desagradável ou insignificante no mundo,
Não seja tu mais um.
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