O que somos
Se não um evento redutível?
Mesmo que além haja luz,
Para este mundo real,
Para este chão firme que pisamos,
O que somos além de, como diríamos dos ratos,
Pragas neste planeta?
É belo porque dominou a natureza?
Então, me diga
Como realizou esta façanha.
O rio não dominou a natureza
E por isto é forçado a fluir
Sempre na mesma direção.
Se eu trocar, diariamente,
Trabalho por dinheiro
Para daí trocá-lo por um audi,
Uma casa no litoral e uma esposa
perfeita,
Diga-me como estaria assim dominando a
natureza?
Movendo o mundo indiretamente
Feito um fluente que mais nada pode ser
Além de grato ou insatisfeito?
Isto é ação dominada e não
dominante.
Mesmo que sonhe
Não sonha diferente
Da fome de um rato,
Ambos sentidos cegos de desejo,
Sacrificando-se por qualquer coisa
Que o torne asqueroso.
Banaliza o dever e canoniza o devir.
Diverte-se só para não faltar papo
Quando faltar o gozo.
Para não ter silêncio se o silêncio incomodar.
Sempre com saudade do que mais quis um
dia
Feito um helianto infértil que
Segue um ciclo de viver para si
Por mais que viva em um vale afortunado.
Mesmo que pense, que fale,
O que, disto, não foi lhe dito pelo mundo?
Quando olhei à dentro de meu juízo
Vi-me como vários visitantes
Que vivem a me convencer o que é
felicidade,
Que vivem a apagar incêndios nas
ideias.
Então, o que somos
Se não apenas pequenos filtros
ambulantes
Que vê e fala o que viu,
Dependendo de como vê,
Dependendo do que já viu?
Nossa essência é um mundo virtual
forjado,
Calejada de sofrimento para firmar
nossas alegrias,
Nosso contentamento de vida.
Usufruindo o direito do egoísmo que
Nunca ajudou em nada os seres mais frágeis da natureza.
Admitimos essa ficção
Feita por alguém que já dominou este
planeta
E agora o alimenta com dinheiro.
Independente,
Não posso dizer nada mal do rato
Além do nojo que me traz,
Nada que eu faça, ou ele mesmo o faça,
Tornará, o rato, mais do que
Grato ou insatisfeito com o seu redor,
Perdido em qualquer parte do ciclo da vida.
Mas sou um homem e não um rato.
Perdido em qualquer parte do ciclo da vida.
Mas sou um homem e não um rato.
Afinal, o ser humano dominou a natureza, porém,
Quando olho para essa corredeira de gente
Me pergunto,
Qual ser humano?
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