Você já não está e eu fico te
recriando,
Fazendo questão de manter uma
saudade.
Feito quem sente falta de uma infância
miserável.
Vivendo para compensar uma imagem
fragilizada
Para que ninguém nunca sinta pena de
mim
Como eu sinto do meu redor.
Dessas pessoas mal amadas e sem
infância.
Das minorias na fila da degola.
Da minoria no leito de engorda.
Ou da maioria, essas pessoas mal amadas
e sem infância.
Você já não está.
Não há mais aqui minha criança
ingênua,
Tímida, estreando as roupas usadas.
Rezando justiça à deus antes de
dormir.
E que sorria no campo minado.
Não aceitamos nunca perder o desafio
pessoal para vida,
Nem para o amor
Que eu fico recriando em abraços,
beijos,
Sexo, onipresença e
transcendentalização.
Insistindo em me proteger atrás desse
escudo imaginário,
Inutilmente.
Tentando achar explicação
Por passar o dia inteiro olhando para a
parede suja,
Dando ouvidos ao Humberto Gessinger e
Procurando alegria nesses blogs de
humor instantâneo.
Cansei de te recriar.
De inventar essa saudade obscena.
Vou recriar a mim mesmo
Pois é só o que há.
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