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segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Nosso Léxico

Uma das minhas citações favoritas para refletir acerca da vida,
Sobre o que realmente importa.
Onde foi mesmo que a vi?
Em alguma passagem bíblica ou
Na parede pública de algum banheiro.
"Quem blasfemar o nome do Senhor terá que ser executado. 
A comunidade toda o apedrejará". 
Não lembro onde,
É tanta merda que faço,
É tanta bosta que leio
Que fico um tanto confuso.
Sou o típico cidadão brasileiro

domingo, 1 de dezembro de 2013

Sobre o infinito

Ontem à noite
A claridade de um céu pontilhado
Amenizou os estrondos que ecoavam pelos corredores de prédios.
Passei um tempo com a cabeça inclinada para cima,
Atento e insignificante para aquele tamanho corpo.
Feito um único verme, que junto a milhões
 Transita livremente pelos cantos das unhas,
No fundo da orelha, dentro do nariz,
Fartos entre os dentes, colônias satisfeitas
No olho do cu. Acho que sem
Perderia a minha cor e sem ela também a vida.
Eu via o céu
Ele que não me via, senti que
Brilhava só porque eu queria.
Aquele vasto império estelar,
Tal oferenda
Que se ascendia somente com o toque dos meus olhos
E quando eu os fechava para me acomodar nos pesares,
Trazia o céu inteiro comigo
E fazia o que bem quisesse com ele.
As possibilidades estavam espalhadas em cada parte da imensidão.
É tudo tão bonito, tão podre e tão arbitrário que
Zombei daquele infinito que não sei enxergar,
Para me consagrar um verdadeiro deus
Que vigília a espreita tudo o que lhe pertence.

Tão verme que sou.

sábado, 30 de novembro de 2013

Sem objeção

Dos objetos, entendia suas utilidades.
Usava o espelho como ninguém,
Olhava-se todo dia e
Nunca perguntou nada a ele,
Desconfiada, investigava seus movimentos, daquelas
Que só acreditam vendo.
O tempo treinador de um olhar gradativamente detalhista,
Até cessar os espantos de tristes coerências,
Retrato de limitação,
Um espelho não permite muita relativização,
Matéria reflete matéria.
Sua imagem, o que mostra,
Jamais encontrará na vida questão maior a sua frente,
Nunca tirou uma conclusão,
Mas preferia se enxergar bonita.

O que está feito está feito.

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Lágrimas de Ofélia


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Oh coração,
Porque desperta tão fácil?
Para ele tão fácil,
Tão fácil quanto sorrir.

Oh belo Sol que nasce,
Distrai-me tão fácil
Que a saudade passa tão fácil,
Tão fácil quanto mentir.

Oh vida infeliz
Para que se consumir tão fácil
Que ele sumira tão fácil,
Tão fácil quanto dormir.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Pombos escrotos


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Dois pombos na calçada, para mim,
Igual nada na calçada,
E lá estavam os dois, parados.
Juntos somente por uma bolacha,
Muito grande para uma pomba comer só,
E boa demais para ser confiada a qualquer um,
Mas estavam lá, os dois
Por convenção do momento.

Antes disso não eram nada,
Não sem bolacha,
No máximo lembranças vagas.
Não haviam subido aos mesmos arranha céus
Pela manha quando sufocados por um tédio banal.
Mesmo que vistassem com a mesma plenitude do espírito
Aquele mar aberto de casas aleatórias,
Uma pomba mirava o sul e a outra mirava o norte.
Não eram nada sem a bolacha.
Mesmo que paralelas,
Não havia sido, também, as mesmas ruas
Onde desesperadas por alimento bicavam migalhas
Que as pessoas jogavam ou deixavam cair pelas calçadas,
Pelas ruas que ninguém as enxergava com relevância,
Pois as pombas não percebem que migalhas são restos.
No centro havia poucas árvores com boas sombras
E durante a manhã, ficar na sombra foi o que mais fizeram,
E ainda assim suas vistas não haviam cruzado,
Não naquela manha,
Já fazia alguns dias,
Até findar-se numa bolacha,
Numa sorte do espaço-tempo
Que sempre se repete por essa esquinas.
Aliás, neste espaço todo tempo é mera sorte.

Tão plena a sensação de repartir delicias
Com um rosto conhecido,
Assim como colhedora era sensação pela manhã
Dos ventos seguros nos topos dos prédios rotineiros.
Das sombras cotidianas,
Embaixo das árvores, que guardam um bom repouso.
Do passo a passo e das migalhas distraídas,
Pelas ruas que de tão conhecidas
Confia a liberdade de agir por impulso
E voar alto também enquanto anda desrumado e sonolento pelas calçadas,
Preenchendo o que resta da sorte e do espaço-tempo.
Tão bom assim um rosto conhecido, semelhante.
Findou-se

Enquanto ela bicava a bolacha
O pombo a olhava
Pensava em como a pomba apreciaria as sombras de seus dias
Se o acompanhasse qualquer hora.
Enquanto a pomba o olhava
Imaginava o quão ele se satisfaria com as vistas voltadas ao sul.
Quando se olhavam
Ele admirava as ruas por onde ela andava,
A coragem de enfrentar ruas com grande movimento.
E ela se impressionava com as penas dele.
Não era sempre, mas naquele dia, as penas estavam brilhosas
E realmente era uma linda distração.
Acabou os últimos farelos,
Voltando eles dois a serem nada,
Talvez farelos que o bico não alcança,
Caído no vão da memória.
Sem a bolacha,
A obsessão presencial por algo comum
Para dar sentido àquela convivência
Tornou os pombos constrangedores.
Tentavam achar parte de si no outro
E o outro buscava outras partes de si.
Mas adeus é sempre adeus,
Sempre cala fundo, bem se entende e cessa o constrangimento.
As costas viram-se, mas fica a admiração.

Voltaram para suas rotinas,
Mais uma vez para suas seguranças
Onde conseguem ser totalmente compreendidos
Pelo oco das coisas,
Pois é somente o vazio que pode preencher completamente
Todas as abstrações.

Indigna-me a escrotidão do pombo
Acreditar que aquela bolacha
Mudou ou permitiu alguma coisa.
Indigna-me a escrotidão do pombo
Por não entender que ele é só a droga de um pombo
E não importa o quão longe for
Qualquer outro pombo no mundo pode senti-lo,
Simplesmente por ser a mesma essência.
Não ter essa calma no adeus
Para perceber que todos são facilmente compreensíveis.
Medo de dizerem e serem mal compreendidos,
mas dizem da bolacha,
Dizem apenas sobre o que sempre é bom.
Pra que tanta insegurança?
Indigna-me a escrotidão do pombo
Por gostar de conhecidos
Justamente por abrirem uma janela diferente para o mundo,
E ainda assim continuam a preferir sempre os mesmos lugares.
Tudo bem, acredito que eles consigam carregar
Parcela disto à suas rotinas no vago farelo da memória,
Tornando-se um forte espírito que sempre reviva,
Todos em qualquer lugar,
Fazendo da sua rotina muitas janelas abertas,
E isto venha a satisfazer o correr da vida.

Talvez eu que não entenda,
Se entendo não me conformo.
Pombos podem fazer o quiserem
E insistem em nada fazer
Para serem, da melhor forma, insignificantes.
Pombos não são nada
Se forem, são escrotos.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Hoje I


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Ela olha o celular no elevador
Como quem olha para o céu na esperança de um teto todo azul
Então olha mais um pouco
Sem saber o que fazer com tamanho céu

Ela olha o celular, a agenda
Quase perguntando ao aparelho,
Se todos os amigos estão bem

Ela olha o celular por impulso
Ao invés de deslizar o dedo dentre seu cabelo

Ela olha o celular para não ver nada
Como quem lixa a unha para não estar ali, só pensamentos
Feito quem pouco se lixa

Ela olha o celular
Como se estivesse olhando para trás, o caminho de casa.
Sente-o na mão, no bolso novamente e
Sente-se segura

Ela olha o celular
Só para ver a hora
Depois decide o que fazer com ela

Ela olha o celular, ansiosa
Feito namorada que aguarda um timbre específico de buzina.
Nossa,
Quando está carente ou a saudade insiste
Ela olha muito mais

Praticamente fala com ele

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Consentimento diário

O distante
Não importa
Enquanto instante

Enquanto o tempo resta
Antes do sono
Depois de tudo
A canseira me pega
E nada importa

O dia não voltará
E não há nada que impeça a vinda do dia
Não importa
Se vivi direito
Ou vivi o suficiente
O agora escoa
Na sombra de minha vaguidão

No breu total
Nada me guia,
Nada me cobra, mas não faço caso
Em desordem tanto faz
Se a vida me foge ou fujo da vida
Se os convites me foram dados
Se os bares estão cheios,
De risos tolos.
Que as puras estejam arreganhadas
Se perco ou ganho
Se fui rei ou vítima
Que esteja presentemente feliz na memória de alguém
Em qualquer lugar possível
Que o mundo me dê tudo
Pelo simples correr de meus passos
Não importa.

Nocauteado de pensamentos
O que vem de mais concreto é o vento, quase imperceptível
No resto neutro da realidade.
Apagou o tesão
Passou a fome
Secou as lágrimas
Perdeu a graça.
Vago
Sem necessidades ou vontades

No caos do instante
Faço-me distante
Encontro paz,
Esta por sua vez acolhe-me
Encontro posição na cama
Fecho os olhos
E durmo.

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Rua dos Porcos


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Dos mistérios da alma
Não pode dize-los menor
Que os mistérios do universo visível.
Se sou poeira comparado ao todo,
Menor ainda em mim, talvez
Por ser este que mais me importe.
Acredito no infinito físico por não ter que encará-lo,
Necessidade de palpá-lo ou possuir.
Mas, abstenho-me de meus infinitos
Para olhar meu céu de sonhos
Pisando no chão firme da minha alma
Sem me parecer um estranho forasteiro
Nas terras de minha consciência
 
Não preciso acreditar na morte
Por ser o que não tenho
Nem nunca terei,
E dela serei só uma vez
Por acaso do destino,
Destino que deve ser ignorado,
Por vir antes de mim mesmo,
Tão presente quanto imperceptível
Alfandega entre passado e agora.
Vive num espaço de tempo
Que não existe em mim,
Logo, também não acredito no destino.
Dador desta minha vida frágil.
Mas a vida sim tomo como verdade
Por ser a única que pode responder
Todas as dúvidas que não preciso ter,
E ainda assim me roubam parte da vida.
Vida,
Verdade frágil, e como tal,
Pronta para ser desmentida
Pela maior de minhas negações.
Assim como tudo que é desmentido.

Então, pelo tempo que me resta,
Resta-me enganar a morte e o destino
Tornando-me Sol em  mim
Quando o dia não cobrar que eu seja poeira no todo,
Nem que isto me  custe mais um engano.
Quando a morte desmentir a vida
Já não estarei presente em meu universo.
E finalmente serei só mundo
Infinito sem alma
Eternidade sem vida.
Independente, serei real.
Uma verdade absoluta,
Assim como o tempo passado

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Linda


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Linda como pessoa e também em nome
Mas sua figura
desvirtuava-nos a uma atenção indevida
Ou pior, desatenção.

Mas somente até ela recitar de suas poesias
Com o efeito da razão abstrata
Que em seus surtos de ira
Esbofeteia quem lhe atreva o olhar.
Uma cólera inflamada de verdades inflamáveis
Incendiando a todos
Que já queimavam sem saber.

Diferente da ruiva inteligentemente rica,
De seios que me pareciam um convite para um espírito satisfeito,
Não era de uma cor branca pálida,
Pois seu cabelo ardia sobre a pele,
Luz por sobre esmeraldas,
Mas que de olhos fechados usando do tato imaginável
Tornava-se um rio de plumas.
Porém, nunca me surpreendia,
Hipnotizava-me como dinheiro a um mendigo,
Mas dela eu só recebia certezas claras,
Assim como é certo de que o dinheiro mata a fome.

Ora, como sou ridículo falando sobre beleza
Sempre que estava com Linda
Sua imagem não me prendia, e então caia por devaneios.
Sou demasiadamente introspectivo,
E ela não parentava nenhuma revelação,
Nem era tal sua preocupação.
Logo minhas vistas se perdiam.
Um simples vento era capaz de arrastá-las
E assim o fez, tirando meu foco
Do chão riscado, sujo e rachado,
E me dando outro qualquer,
Um pássaro com um cabelo engraçado,
Que eu adoraria descrevê-lo como pica-pau,
Tentando achar inteligência
Em minha ignorância sobre o redor.
'Qual será dos fios deste poste que carregam sinais de televisão?
Ouvi dizer a respeito de super postes,
Mas ouvi de quem não soube me explicar muito bem,
Justo quando eu era todo ouvido,
Mas a razão deve ser esta,
Logo não terá mais espaços para novos fios'
E quando parecia que minha reclusão interior
Estenderia-se a eternidade daquelas tardes
Linda com duas palavras em bom tom
Puxava meu tapete voador e me derrubava,
Com graça,
No chão duro da realidade
Mostrando o quanto eu sou um tolo distraído.
Daí em diante nem precisava ser genial,
Eu ficava embasbacado olhando ela,
Admirando apreensivamente cada palavra
Esperando ela fazer novamente.
Era só aguardar, era muito natural
Aquele jogada sensual dos pensamentos
Para balançarem soltos no ar, lindos.

Ah, como era linda tamanha perfeição.
Alquimista frente a seu tempo,
Podia ainda demonstrar controle sobre sua sexualidade,
Sabendo o quão infantil evitara ser.
Era muito forte a sustentação de seu espírito.
Espírito maduro,
Quanto o mundo lhe foi duro
Para resistir resultado assim?
Nem mesmo o patinho feio
Suportaria arrastar uma vida toda
Nas ruas da abstração.
Ela não tornou-se cisne,
Mas voa com as asas do que poderia ser um.
Como então é possível?
Não retribuíamos o que recebíamos?
Como foi condicionada a ser tão rítmica nas ações?

Ela era maior que todos.
E era reconhecida como tal.
Em meio a mesquinharia
de gente dizendo que melhoraria
O sorriso da mona lisa.
Diziam sempre sem dizer que ela seria mais bela,
Se assim o quisesse, até concordo,
Mas jamais ousaria dizer.
Quão imbecil isto seria. Logo a ela
Que sempre soube tudo o que os olhos não veem.
Com certeza ela tinha total controle da situação.
São os brasileiros ordenando ao técnico da seleção.
Ela simplesmente sorria e fugia do assunto com facilidade,
Raramente alguém tentava persuadi-la insistentemente,
Beleza sempre será assunto delicado. Que bom
Por apreciarem mais que tudo sua amizade, claro,
Impossível não,
Ela era sempre tão gentil com todos,
Até quando o contrário brada ação. Digo por mim.
Pois eu no lugar dela já teria perdido sangue frio
E refutado a todas em sua equivalência
“Fanny,
Não persistem em você porque não mostra resistência a ninguém,
Se sua filosofia é o agora,
Não gaste minhas filosofias com tuas frustrações.
Lenina,
Como quer ser diferente a ele tornando ele mais um?
De que adianta este perfume se não suportam sua proximidade?
És melhor que alguém e por isto tem o direito e o chama de liberdade?
Infantis, é isto o que vocês são.”
Não, Linda sorria.

Não consigo explicar de maneira mais clara.
Mas a razão é esta para eu quase não olhar mais
Para a ruiva que ilumina feito Sol o dia,
Nem para o poste que já quase encosta sua sombra cheia na minha
ou mesmo o passarinho, pica pau.
Olho para ela,
A mulher mais Linda que já conheci.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Mundo livre para mim também

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Era menino, logo
Não convinha, a mim, o que dizer,
Pois era muito menino, confia,
Será homem logo,
E jogavam-lo no quintal para as brincadeiras
Como a noite se desfaz das vestes para se envaidecer.

Prenda seu filho,
Enforque-o no quintal
Mãe limpe ele,
Pai seja patrão, padre e policial.
Era o que as novelas mostravam,
E eu também via mesmo sem nada a ver.

Até um dia, fatídico dia.
Até um cheiro, fatídico cheiro
Mais antigo que qualquer lei,
Vinha de trás do muro,
E o pescoço me ajudava a espiar o cheiro
Como se o pensamento me desse forças.
Taporra, era a maconha.
E que ar é esse que nunca respirei?
Oras, e estes risos. São risos da desgraça?
Mas a desgraça não tem graça.
Nem mesmo eram tão feios quanto eu esperava,
Eu nem esperava que já os conhecia.
E a consciência me denunciava só por eu não denunciar.
Calei-me.

Tão rápido quanto um único dia,
Amanheci num mundo em combustão.
De quarteirão em quarteirão
Quem consumia se entregava a mim pelo odor.
E tive que passar por reenquadro dos perfis confiáveis.
E agora, quem me serve de representação?
Das boas faço ruins e das ruins tomo como verdade?
Poucos eram os perfis que se encaixavam
Nas descrições do imaginário
Que a cada hora ganhava mais cor.
E de forma natural não consegui perder a minha antiga empatia.

Do cheiro fiz informação,
Daquelas que há reflexão antes de passar ao papel,
Mas, sinceramente, pouco refleti para jogá-la no papel,
Enrolar e acender.

Coloquei a maconha em meu cardápio
No potinho dos temperos
Porque aprecio seu gosto,
Da vida com seu gosto.
Particularmente, eu gosto.

Me joguei para trás do muro
Que divide o que é lei
Realidade e realização.

Em minha vida banal
A maconha é banal
Como tudo também me é banal
E ainda assim viciante.

Em minha vida selvagem
A maconha é selvagem
Porque fizeram um muro
E chamaram de morro. Disseram
“Do muro para lá é selva,
Do muro para cá é civilização”

Mas sonho,
Em desligar a TV
Construir uma casa 
Aqui no meio desse mar de gente.
E nela não terá a droga de um muro,
E nela terei meu filho a brincar,
Comigo e com quem mais desejar.
Respirando de um mesmo ar. Para mim,
Nem mais, nem menos,
Serão ares de satisfação.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Balada

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Foi mais uma festa cheia de espíritos medianos
Classe média
De beleza média.

Na escuridão que ilumina a alma
Na pista, rodando sem sair do lugar.
Viajando sem sair do lugar.

A primeira impressão é a que fica
A mascara que calça fica,
Não importa,
Todas suas mascaras tem a tua cara.

E naquela noite,
Naquela festa,
Qualquer mascara se personifica
Ao espírito se esvaziar.

O medo e a censura,
virtudes infantis, ditas para amadurecer,
Não são bem vindas e dormem a sós em casa.

A misericórdia perde seu sentido
E o sentido de nada ter sentido ganha corpo,
Então o corpo se entrega aos sentidos.

É a vida se saciando por si só,
Assim, como quando nasceu num estalo do universo
E fez de si mesma destruição.

Ali, imaginem só,
Vários universos em destruição,
Todos consumidos pela desigualdade dos desejos.

Adornados hierarquicamente
Pela fragilidade sincera da razão.
Nessa hora, quando há tentativa de se sobrepor
Que nasce a maldade, mesmo sem esta ser desejada

Há como dizer que demônios não existem?
Nem o mais intelectual cético conseguiria negar
O ódio que se cria dentro daquela alegria casual.

Mesmo assim,
Há gratidão só por seu mundo colidir e não perder a rota,
O prazer de não estar sozinho.
Fé correspondida pela compreensão.

E aqueles belos universos,
Como a beleza extrema de qualquer constelação,
Também contemplam e sentem nossos impactos.

Dançam lindamente,
Naquele espaço,
Naquela órbita,
Rodando sem sair do lugar

Foi naquela festa,
Feita para esquecer da vida,
Revelou-se a mim o que nunca foi escondido.

Sobre a vida,
A verdadeira,
Como ela é muito melhor e pior do que sentimos
Durante a sobriedade.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Confidências de um gigante que acordou aturdido


Sou hipócrita experiente,
Daqueles que sabe onde tudo termina.
No infinito dos desejos
Dos desejos infinitos

Sou desleixo exigente
Conquistando com muito esforço
Uma paz espiritual, um equilíbrio
Em meio à insegurança de espírito

Sou dúvida convincente
Que reproduz para sentir que produz
E produz para compensar o que não se diz.
Não diz a si o que lhe é convicto

Sou órfão inerente
Esperando um futuro indolor e silencioso
Culpando culpados do passado
Para justificar todos meus vícios

Sou fortaleza transparente
Que venço o mundo e perco para mim todos os dias.
Busco luz na minha obscuridade
Para ter a opção de negar o explícito.

Sou rebelde complacente
Que se diferencia em seu ideal comum de sair da rotina
E descarta o conforto para ter regalias.
Engasgo ao me engolir sendo mais um mesquinho.

Sou apelo não urgente
Uma má gestão de mim mesmo
Que conduz prioridades a esmo
E cada promessa feita são reles palavras de um corrompido.

Sou sorte de um azar pendente
Consequência desse eterno impasse livre
Que se embala nas ruínas de meu declive
E cansado tenta se alimentar num pomar infrutífero.

Sou anti-lei vigente
Que nega o mais lindo sonho
Supondo ordem no que me é imposto
Diálogo abertamente restrito.

Sou ódio prudente
Que não insiste para, assim, se convencer.
Legitima farsa que se vangloria ao
Ganhar espaço no vazio.

Sou frustração prepotente
Maior que a fome só tenho o ego
Maior que a fé só a cruz que carrego
Gozando de ter meu alicerce nesse precipício.

Sou escravo presidente
Lutando pela abolição da decisão,
Por falta de dores
Ou amores definitivos.

domingo, 9 de junho de 2013

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Para que tantas palavras?
Jura ser para se defender em discórdia
Quando vierem te socar o que, para outrem, é misericórdia
Enquanto ouvires de outras histórias
Uma dor que não nos cabe,
E a palavras cabe menos, ouviste
Uma dor criptografada
Mas que apenas se sente quando se vive
Na pele, camada vistosa, única racionalizada.
Se ver e me mostrar,
Se chocares a ti e em mim,
Se doeres em ti e em mim,
Se, não por acaso, compartilharmos da mesma emoção
A ponto de ficarmos sem palavras
Eu pergunto, irmão
Para que tantas palavras?
(E eu me recuso a mencionar a razão de não se dar o trabalho de falácias e blasfêmias)

Deixa-me criar a beleza perfeita,
Quando não desmentido até deus é verdadeiro.
Só não me diga isto.
Não diga o que vos cega, menos ainda o que vos guia
Certamente ocorrerá uma inversão de sentido,
E das suas trevas me virá um motivo de alegria
Na minha fé, lhe parecerei um signo de anti-cristo
E me rompe as sensações te perder todo dia.
Dia a dia, isto, tenho vivido
E o atrito que nos resta são cruzes de olhares
O peito se enche de compaixão, repentino perdão dos pesares
Porém, qualquer diálogo eu evito
Só uma palavra apazígua o falso sentimento de culpa
“Desculpa”, mas se persistirmos em palavras logo virá,
“Filha da puta”. Culpa. Desculpa. Filha da puta
Eu pergunto, amigo
Para que tantas palavras?

Quer mesmo eternizar sua alma em outras?
Lhe é insuportavelmente sôfrego o fim da fala?
A paz global não é segredo teu para que tu não morra
A desordem mundial é justamente a discordância de opinião,
Sua herança herdada de outro tempo, outro mundo, outra geração
Engole-nos nos preceitos de sentidos pelo bem social
Eu indivíduo vivo, ainda duvido ter a minha compreensão
E não ser mal visto, assegurado pela constituição
Que tu faz tanta questão
Utopia idiota, muito dita pelos loucos alucinados
Que arrastam papelões desnutridos de perspectivas
Sem como custear seu gritos desesperados de vida, daí
Tu ergue espadas para proteger e fugir daquele que de tão frustrado
O que menos lhe atormenta é a fome, daí
Tu persiste em validar seus medos com exemplos,
E dos exemplos razão para validar o que havia só em silencio na alma
E nunca ousado dizer a si mesmo, este egoísmo de nosso desejos
Eu pergunto, filho
Para que tantas palavras?

Abrace-nos
Beije-nos
Sorria-nos
Sejamos
E não se intimide com o silêncio se ele lhe incomodar
Ainda me interesso por sinceros votos de fraternidade
Nos sentimos tanto, e isto nos causa tamanha estranheza
Que tornou-se clichê usar
“Não tem como colocar em palavras...”
Mas sinto, sabe que sinto, então
Eu pergunto, amor
Para que tantas palavras?

domingo, 28 de abril de 2013

Bandeira branca, ou...

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Bandeira branca,
Rogo nesta guerra “transparente”,
Nesta guerra (invisível)
Que assistimos todos os dias.

Suplico igualdade entre os povos, mesmo que,
Nem de longe, eu, queira ser a tua semelhança.
Tampouco arrastar meus dias sendo como sou,
Ser por ser ou não ser para ser...
Como não quero, mas nem posso não querer.
Reles escravo de guerra.

Eu quero trégua sem indenização,
Eu quero a liberdade sem burocracia.
O futuro não compensará seculos de fome,
Mas como se compensa seculos de fome?
Meu Deus, como? Como?
Essa é a questão, com ou sem oração.
Queria eu com toda a energia que poderia gastar,
Que minha gente se movesse igual movem suas maquinas,
Sua economia, o move e não comove,
Continuo estagnado.

Não precisamos dessa semi-preocupação
De quem quer mudar o mundo,
Mas não quer que o mundo mude
Envelopam e enviam seus sonhos para uma vitrine
Que não tenho o dólar para quitar.
É nessa que o pobre se ilude.
Nos vendem drogas, que,
De longe são mais viciantes e nocivas
Do que qualquer uma que nós lhe vendemos,
Sem impostos ou correção monetária,
E ainda mais pura e saudável que McDonalds.

A “inteligência” não deveria jogar
Ninguém ao topo da democracia.
Inteligente é quem reconhece o nada que, ainda, somos.
Malditos fascistas burros.
Quem dera se nos livrassem
Com a mesma facilidade que tem para nos prender,
Já que se diz autoridade.
Ai de mim poder exorcizar os meus demônios
Com a mesma frieza que, tu, joga teu lixo fora.
Sabe,
Surra-lo feito meu dia.
Usá-lo feito minhas mamas.
Humilha-lo feito feito minhas vestes.
Mata-lo feito minha fome.
E sorrir feito quem agradece a dádiva da vida.
Apenas para ver
Suas lágrimas escorrendo pelos tabloides
Buscando falsa justiça para cair sobre mim,
Que absorvo a culpa, às lágrimas,
Como rosas que caem sobre o toureiro.

Demitiu o pobre quando ele não carregava mais a caixa.
Desmentiu seu Deus porque ele parou de fazer milagres.
Mas, caixas com milagres funcionário não abre.
Não tenho mais forças para pedir a Deus,
Peço então, a ti, patrão.
Tréguas, quanto antes melhor.
Antes que eu perca a cabeça
E lhe de um tiro na cara.

domingo, 17 de março de 2013

Fred, indefinido


Fred, o esquisito
Todos gostavam dele por ver que ele gostava de todos.
A metade da laranja, da maçã ou qualquer outra fruta.

Fred, grande filha da puta
A traição é um paradoxo quando parte do coração
Trai a si mesmo, uma mulher, talvez duas,
Valores éticos e religião
Não posso esquecer-me de dizer, nunca o vi traindo a vida

Fred, insanidade é uma saída
O mundo não é de Fred,
Apesar de Fred ser dono do mundo.
As horas voam, garrafas secam e isto cobra cada segundo,
Outras drogas aceleram o processo,
Geralmente é até positivo.

Fred destrói o mundo e não deixa vestígio
Suas culpas incendiárias são, somente, cargas negativas
Mas a alegria que traz cobre qualquer lareira destruída
E deixa todos no lucro até em suas trapaças

Fred, vítima de suas próprias farsas
Entendeu como Caeiro,
Que o mundo é do tamanho de que vemos.
Fechou os olhos, criou seu mundo e
Ensinou liberdade para nós ingênuos.
Confesso que tentei fechar os olhos, mas,
Não devo ter imaginação o suficiente

Fred cumpre a lei de forma negligente
Sempre olha para que nada esteja errado
Para fazer tudo errado e não sair arrependido.
Ultimamente anda tão certo.
A busca do lucro muito caro tem saído
Lembre-se, o preço da taça não é o preço de quem brinda

Fred, minha eterna carta coringa

Enfim,
Só sei de Fred que nós somos, de forma gritante,
Diferentes.
Ninguém é nada para ninguém, se,
O melhor de si é barrado por dentes.
Para todo e qualquer diálogo, casado e sem interrupção,
Fred forja o conteúdo do assunto,
Assim como qualquer um que se propõe a um diálogo sem discussão,
Fred é a melhor pessoa do mundo.

sexta-feira, 8 de março de 2013

A cara que sexta tem


Sexta-feira, minha ruptura.
Não sei se rompo para repor o rombo,
Efeito da usura e monocultura.
Mas ninguém salva uma semana de tombo
Com um fim de semana de surra.

Eu acordo no trabalho,
Eu durmo embriagado.
Eu acordo embriagado de trabalho toda sexta.
Eu durmo dando trabalho embriagado toda sexta.
(Dei para mim o direito de sair da rotina nas sextas para fumar, beber, fuder, e essas coisas que, por falta de criatividade, fazemos em noites de sextas que não aguentamos mais pensar, e já é noite. Porém, não aguentarmos mais pensar? Pense bem, pensamos para terceiros a semana inteira sem autonomia alguma. Por nós ninguém pensa, ou pensa que pensa, porque eu penso diferente. Pensem bem, ainda não pensaste esta semana).

Sexta-feira, minha monotonia.
O dia que ganho descanso merecido sem mérito algum.
O dia que vou além, passo dos limites de forma comum.
O dia para conhecer de tudo, e assim, tornar-me mais um.

Sexta-feira, minha oportunidade.
Oportunidade que só é útil aos oportunos.
Usarei a meu favor esse eufórico ruído noturno,
Que tanto me alegra e me maltrata.
Pensarei fora do eixo, fora da caixa, fora da sexta.
Vou me jogar para fora e entender o tempo fora da sexta.
Talvez segunda sintam a minha falta.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Diga algo sobre você:



Eu sou assim, propício a mancadas.
Veneno de meu próprio espírito,
Empírico a ação se difere da mente racionalizada,
Ou mente chapada.
Eu sou assim, propício a decepção.
Minha carência é meu umbigo,
Amigos são os pulmões.
Para ações não egoístas, mascara é sugestão.
Não veja meu rosto nu, odeio causar frustração.
Eu sou assim, propício a vaidade.
Com meu trajeto me identifico.
Fico muito mais vivo alcançando estabilidade.
Um elogio é nocivo, meu ego estufa com novidade,
Preciso estabilizar a minha personalidade.
Eu sou assim, propício a bobeiras.
Estudo para ser algo que nunca fui,
Minhas paixões não dão futuro, não que eu o queira.
A vida é assim, não é estrada, é esteira.
Então renuncio tudo em prol de bebedeiras.
Eu sou assim, propício ao precipício.
Não sou burro, sei o que não entendo.
Olhando vestígios me tornei um resquício
De um mundo que não muda, muda seus vícios.
É somente na poesia que me sinto inteiriço,
Escrevo o que não dá futuro para me sentir parte disso.
Eu acho.