integralmente frágil. do vento forte que corta a pele ao micro-organismo que derruba o corpo. descendente original dos homens fracos de cultura enganada. que por gostar do sabor da vida envaidece e quebra. o tédio me dói, a sede me dói e a injustiça me dá sede e tédio. acostumado a superar essa debilidade em meus jogos íntimos de palavras e crenças. makeup. de fotografar esta fraqueza apenas pelos melhores ângulos estou ficando neutro, virando uma transparência grossa. o grão de areia continua sendo arrastado, junto a trilhões de grãos idênticos, pela brisa leve que refresca a orla da praia, grudando em tudo que toca.
a diferença que faço é minúscula, mas tenho sonhos absurdos de imenso e prazeres dignos de eternidade. inúteis como tudo que é feio. como tudo que é belo. os tenho mais que sangue e água dentro de mim.
de tanto tentar entender, de tanto tentar entender, de tentar entender...não entendi, e restam os mesmos rostos. cães raivosos. cães amorosos.
as pessoas. a causa de tudo em que acredito. o mesmo vulto da mesma cara com a mesma chaga que eu. meu espelho sujo. trepando a mesma foda sem goza juntos. nesse broxamento de ser quem eu seria? o cara que goza na primeira bombada ou a mina que nem goza? um voyeur de foda mal dada?
apenas mais um reagente químico. e com muita imaginação ou falta dela [deslumbramento coletivo? cultura? tradição?] a mesma vida respondendo a infinitas razões. a gente fica bravo, fica triste, alegre, de acreditar. enfeitamos o sentir. apenas para sentir.
sim. se me temessem ou me amassem, aí sim eu esperaria ansiosamente pelo que ainda vem, feito um empregado puxa saco esperando a bonificação prometida para poder com mais duas dívidas e ter mais umas duas coisas [pedras sonhando com britadeiras]. A falta responsabilidade ou conclusões me anestesia. não tenho talões, nem aliança. não existo totalmente. caminho livre pelas questões inúteis que para mim pode ser tudo e melhor. brincando de relativizar as importâncias. tipo o fantasma ocidental que assiste os vivos e debocha de tudo o que eles pensam que é vida. se eu tivesse um filho que chorasse e fosse a minha obrigação calá-lo e, sem propósito, amar incondicional. se devesse algo ao mundo, mas eu não devo. deformado social.
nesse descanso de querer ser. retiro minha armadura de medo, meu escudo de ódio e minha espada de memórias quebradas e já me sinto aliviado.
precisamos alimento. precisamos moradia. precisamos pagar. precisamos trabalho. precisamos alivio. precisamos amor, difícil feito fogo. precisamos plano de guerra. e com o possível troco comprar coisas para passar o tempo como um relógio que usa pilhas, melhor, uma bateria viciada.
eu poderia equilibrar. forçar um discurso. cultuar um lado forte. saudar aqueles momentos depressivos superados. relembrar do futuro aos outros. narrar um vitorioso fotogênico ou uma derrota suficiente boa para que me descessem da cruz sem me quebrar os ossos. ainda assim não saberia ao certo dimensionar essa força. o que chamo de força sempre é suposição. agora a fraqueza posso senti-lá dentro dos ossos e também não tem grande importância.
espanto-me com os efeitos que ação consciente causa, por exemplo, lavar uma louça, ajudar alguém, e ainda não tomo tais feitos como mérito. é divertido. não existe nada mais divertido que mudar as coisas. a gente chega a chorar de felicidade. e a maior dor no que vemos está em não poder mudá-las. já dizia o comediante: é tudo uma piada. pode rir. se eu tiver um filho, terei que criá-lo e educá-lo para que o desgraçado possa rir, tranquilo, da banalidade da vida no meu lugar.
não precisamos de filhos. filho não é remédio. filho é a cura do que não é doente. bilhões e bilhões investidos em tecnologia de guerra e morte. e o que a ciência fez até hoje para melhorar o sexo com camisinha? sabor morango? do corinthians? efeito retardante? borracha extra-fina? a última, né. e fazer eu mesmo o mochilão rumo ao nada e sublime. ao caos. causando. até quebrar no meio do vento.
Nenhum comentário:
Postar um comentário