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sábado, 29 de setembro de 2018

com Maju #1

Ainda não tenho ctz se chego no Chile. Meu dinheiro deve acabar antes. Minha paciência também. Vou até o limite e não é para testa lo. Para extrassalhalo e cair morto do outro lado. A sorte é pra quem teve a vista treinada para ver mais flores que mato. O mais lindo dos Oceanos me parece um lugar sombrio.
Desde sempre fui das escolhas improváveis. Das que necessitam de imaginação. Ia e apostava todas fichas na trajetórias fatais. A vida é muito fácil. Difícil é vive la. Tenho mais ficha que antes, mas o dono do Cassino não permite aos de minha classe retirar as fichas. Tem que morrer jogando. Difícil é morrer. Filho da puta dum bilionário.
Conversava num bar com minha amiga maju. 
-Existem tantas coisas para se fazer e não morrer de fome e tão poucas para se tornar um bilionário. E dessas poucas nenhuma limpa. E esses caras escolhem a presidente, o vice, o legislativo e o judiciário. 
-pelo menos hoje em dia da para ser rico. Na época da realeza você seria definitivamente pobre. Seu destino era uma escolha divina.
-Tenho a memória de um assassino e a de um romântico frustado, maju. E ainda mataria e amaria. Não a mesma pessoa haha mundo ja me pareceu ter mais razão. Quer dizer, eu sobre o mundo.
-a maioria passa por isso. Ja foi numa psicóloga?
-claro que passa, somos humanos iguais. Ou entao estaria aqui relatando sobre minha dificuldade em plainar o vento sul com minha asa esquerda ainda em recuperação. Meu psicólogo parecia o corner dum boxeador sem talento. To de boa de quem me incentiva a levar uma vida sem sentido. Teria mais sucesso com um padre. Faz terapia?
-Não, estou muito bem e quem reclama da vida é tu. Um amigo que levou um chute da namorada disse que estava fazendo bem pra ele.
-Maju. É esse tipo de recomendação que nos separa. Você sabe tanto, mas tanto que não precisa olhar nada afundo, envolver tão pouco. Basta uma recomendação especializada. Existem milhões maneiras de suicídio, não quero o educacional extensivo. Prefiro algo mais plástico.
-Você tem um ego muito grande.
-Se eu quisesse te agradar contaria meus planos e lhe diria que era meu sonho.
Maju sorriu. Bom ver ela sorrindo. Da vontade de rir também. 
Depois disso viajei. Tomei varias e enchi meu livro de histórias. Porém em cada margem silenciosa me vem a falta da voz de sancho "estamos chegando?" Se eu morresse ali ou no cume da patagônia não faria diferença. As vezes da vontade de arrancar o coração e chutar no mato na direção dos cachorros. Geralmente nesses intervalos que escrevo. As vezes a parada de 5 minutos duram 6 horas e o final é de um entendimento tantrico. Montei um poema enviei pro meu irmão.
"Sou homem canhão em pleno vôo.
Então miro pra alguma miragem e disparo me.
Cansei de cair em redes.
Explodi ao Sul mas a geometria da Terra me permite cair a norte ou
nem cair.
O alvo, só vendo, examinando de perto
Sou a última bala e sei bem onde estou
Sou homem bomba sem religião
Um kamikase entediado."
Depois de dois dias ele respondeu
"Massa, manda foto".
Nao sei se eu nao sei pedir socorro ou sou orgulhoso demais pra isso. Pelo menos ele não me mandou procurar um trabalho decente dessa vez. 
Eu sigo, sei que ninguém se importa. Não por mal. Sinceramente não sei como estão meu irmão e maju, além de fazerem uma força incrível para manter intacta vossas cascas de ovo. Talvez um dia importando-se com elas mesmas investigarão o que fiz. E só restará as palavras de meu fossil e minha vida será mais um desses exemplos incabíveis de felicidade.

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