será que você vem mesmo?
to vivendo só pra te esperar um pouco mais,
me abano, ta calor nessa parte da vida.
envelheço para me distrair,
faço festas feito quem se coça,
sofro como quem tem frio nos pés por preguiça de calçar meias,
e aproveito cada estação que o corpo dá.
gasto-me aleatoriamente
como as revistas velhas que servem
pras pessoas não pensarem em si próprias
nas salas de espera dos consultórios.
e todo dia da revista é igual,
e o sorriso da capa é o meu sorriso.
ou deveria estar emocionado?
as pessoas estacionam na nossa garagem
pra ficar enchendo o cu de cerveja no bar do lado,
inexiste plenitude com essa cambada de caôzeiro.
te espero porque necessito te contar essas histórias
ou morrerei engasgado pra não mandar
eles tomarem no cú,
eles saem do bar felizes demais pra entender
a minha raiva.
ninguém me entende, você vem mesmo, né?
é longe o acaso?
quanta distância que a vida mede?
caminho por aí como se fosse te esbarrar na esquina
e perguntar: é você mesmo?
te espero pra comprovar minha teoria,
aquela sobre a vida e sobre as coisas darem certo
e que os dramas possuem as mesmas cenas que a comédia
com exceção da trilha sonora.
jura que vem? não precisa ser verdade, mas jura?
estou te esperando feito crente
que ora, mas também cozinha.
como quem espera uma árvore plantando-a e regando
sem esforço algum para ver beleza.
te espero porque é fácil e gostoso
feito quem goza sonhando e ri lembrando.
minha vida é um sonho turvo,
estou fazendo a cama, o almoço e a playlist
do jeito você gosta para quando chegar
você ser eu
projetado num sorriso de carne satisfeita.
eu acordo cedo, como muito
e roubo no supermercado tudo que cabe no bolso
por hábito,de resto
faço mais o que o céu exige
e o corpo aguenta.
obedeço quase todas as regras da natureza
só pra ver se você vem mesmo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário