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sábado, 29 de setembro de 2018

Sou tão miserável
Que um baseado basta
Para me trincar as ideias.
Em minha cabeça explodem bombas
Como em filmes sem sentido
aliviando-me da tensão
desgostosa de elaborar.
Se saisse hoje
Só iria arrumar treta,
Não foi meu dia,
E é sempre assim, treta.
As ruas me desestancam
Até sangrar os olhos,
Hemorragia interna
De tanto me ver nos outros.
Horríveis como uma confissão.
O reflexo do espelho humano
Não se maquila ou faz pose.
Estar perto, hoje, para mim,
Seria enxergar um doente terminal,
A respiração
Funcionando graças a grande máquina.
Os dizeres sinceros
Saindo de nossas bocas,
As preocupações tão outras
e tão menores e tão longe
de alguma chance,
Ninguém ouvindo
E mentindo sempre ao afirmar.
Sumindo sem nos importarmos
o suficiente para conseguir respostas.
Hoje não quero,
Quero sentir um pouco de amor a vida.
Mais invisíveis
que qualquer propaganda,
Cada um com seu estilo
De esperar a morte e
Acreditar na vida.
(E me pergunto pra que eu sofri tanto com politica,
Culpa dessas salas fechadas em que só
podemos imaginar todo funcionamento).
A democracia do seculo do eu
É você votando em você mesmo,
E se não há você, então
Não importa, não é boa.
A única compaixão
é com o espelho,
Aquele que não controlamos
Os músculos faciais
E que anda sem rumo,
Presenteamos os de nossa volta
com perdões egoístas,
Para dignificarmos nossa vergonha.
Hoje não vão me ferir
E sonharei com uma solução
Para todos nós
No sofá da sala.
Pois não há compaixão
Com os iguais que não sinto o cheiro.
Impossível imaginar a realidade.
Ja em mim, no infinito de mim
tudo é familiar.
Só sei que
Somos o mesmo que
Qualquer coisa
Com a diferença
Da razão que serve
Para sofrer inutilmente,
A mesma que
permite sonhar inutilmente
E também saber inutilmente
Que somos o mesmo
Que qualquer vida
Com a desvatagem de pensar nisso.
Eu vi caminhos
Como as formigas
Também os vêem.
E não tenho a sorte dos peixes
Que não são devorados
Por serem muito pequenos.

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