numa noite óbvia
de estreles, lua e escuridão,
empanturrado de tédio
pelo alcool de sempre,
variou o copo,
o movimento do corpo,
num brinde
ao novo.
encheu por vezes,
virando em goles,
bebeu amor
até chapar;
de estreles, lua e escuridão,
empanturrado de tédio
pelo alcool de sempre,
variou o copo,
o movimento do corpo,
num brinde
ao novo.
encheu por vezes,
virando em goles,
bebeu amor
até chapar;
bateu estranho no estomago,
irritando
feito uma consciencia oposta,
que ameaçou escapar,
mas foi engolida de novo
e de novo
numa demonstração desnecessária
de força,
numa interpretação equivocada
de fraqueza.
um sabor que só tem
numa específica fruta
vibrava
junto a um calafrio
que tomava por pira.
vago entorpecer,
rindo sem porquês e
apontando beleza
dum satélite natural
que nada tinha
além de lendas.
irritando
feito uma consciencia oposta,
que ameaçou escapar,
mas foi engolida de novo
e de novo
numa demonstração desnecessária
de força,
numa interpretação equivocada
de fraqueza.
um sabor que só tem
numa específica fruta
vibrava
junto a um calafrio
que tomava por pira.
vago entorpecer,
rindo sem porquês e
apontando beleza
dum satélite natural
que nada tinha
além de lendas.
depois de lamber
as mãos e os dentes
a digestão.
extraindo os poucos nutrientes
possíveis no amor
ou qualquer outra substância alimentar,
se comparado ao montante descartado
de excremento puro,
sentiu o recarregar de célula por célula
em energia nova,
em sabor aprecível,
em sensação,
em potência suave
de querer.
as mãos e os dentes
a digestão.
extraindo os poucos nutrientes
possíveis no amor
ou qualquer outra substância alimentar,
se comparado ao montante descartado
de excremento puro,
sentiu o recarregar de célula por célula
em energia nova,
em sabor aprecível,
em sensação,
em potência suave
de querer.
as ruas não são ruas
com uma droga nova
as camas não são camas
com uma droga nova
as pessoas não são pessoas
com uma droga nova.
os vultos tem nome próprio
e os imóveis substantivos.
todo o sentido se resume
a doses cavalares.
com uma droga nova
as camas não são camas
com uma droga nova
as pessoas não são pessoas
com uma droga nova.
os vultos tem nome próprio
e os imóveis substantivos.
todo o sentido se resume
a doses cavalares.
fez do amor sua dieta irregular
e da endorfina sua pasta base.
tipo o que diz: a arte é minha vida
e abandona a arte de viver.
a cada dia, ao hábito,
somou um motivo diferente,
uma razão lúdica,
até exceder o saudável,
os hormônios também
entrarem crise existencial
ou esgotá-lo
seja lá do que coisa etérea seja feito.
e da endorfina sua pasta base.
tipo o que diz: a arte é minha vida
e abandona a arte de viver.
a cada dia, ao hábito,
somou um motivo diferente,
uma razão lúdica,
até exceder o saudável,
os hormônios também
entrarem crise existencial
ou esgotá-lo
seja lá do que coisa etérea seja feito.
outra fome (ou a própria vida)
voltou a bater
numa época que o estomago
negava o que tivesse fibras
contentado em viver de papas.
o inconsciente o fez o favor
de mastigar os sentidos por ele
ignorando
a pele seca e pálida,
os olhos vermelhos e fundos,
os cabelos secos e quebradiços,
os braços moles e finos,
feito nosso irônico corpo social
que tudo nos nega.
e o que dava tato
ao coração
passou a esmagá-lo
como uma capa de gordura.
voltou a bater
numa época que o estomago
negava o que tivesse fibras
contentado em viver de papas.
o inconsciente o fez o favor
de mastigar os sentidos por ele
ignorando
a pele seca e pálida,
os olhos vermelhos e fundos,
os cabelos secos e quebradiços,
os braços moles e finos,
feito nosso irônico corpo social
que tudo nos nega.
e o que dava tato
ao coração
passou a esmagá-lo
como uma capa de gordura.
deu um tempo na bebida.
mas nas noites
o sonhava abstinente,
tornando inteiro a falta,
matéria sem espírito algum,
impregnada de querência,
e ao acordar
a alma presente tinha companhia
exposta à si mesmo,
e acho que é isso
é o que sempre chamam de doença.
o hóspede maldito.
e a cura
sempre um despejo.
mas nas noites
o sonhava abstinente,
tornando inteiro a falta,
matéria sem espírito algum,
impregnada de querência,
e ao acordar
a alma presente tinha companhia
exposta à si mesmo,
e acho que é isso
é o que sempre chamam de doença.
o hóspede maldito.
e a cura
sempre um despejo.
sendo os olhos
a janela da alma mais próxima
do músculo vital possuido,
chorou muito para desasperar as vias
e molhar o caminho pelo
qual expulssaria
sua própria maneira de entender o mundo.
o que viria era imenso
pesado
como duas pessoas misturadas
por exageros,
e com garras afiadas de fincar nas paredes.
custou a passar na garganta,
entalou, e não podendo
puxar na mão,
encheu o peito até comprimilo,
expurgou-o
ainda que lhe arregaçando os olhos
que, aliviado, só via
as lágrimas já saídas
e, mesmo que pouca, havia distância.
a poça que restou em sua frente
desta vez, era-lhe
completamente alheia
por mais que gerasse um reflexo turvo
de si mesmo
ao olhar estranho para ela.
a janela da alma mais próxima
do músculo vital possuido,
chorou muito para desasperar as vias
e molhar o caminho pelo
qual expulssaria
sua própria maneira de entender o mundo.
o que viria era imenso
pesado
como duas pessoas misturadas
por exageros,
e com garras afiadas de fincar nas paredes.
custou a passar na garganta,
entalou, e não podendo
puxar na mão,
encheu o peito até comprimilo,
expurgou-o
ainda que lhe arregaçando os olhos
que, aliviado, só via
as lágrimas já saídas
e, mesmo que pouca, havia distância.
a poça que restou em sua frente
desta vez, era-lhe
completamente alheia
por mais que gerasse um reflexo turvo
de si mesmo
ao olhar estranho para ela.
a luz forte do sol
foi secando a calçada.
a luz forte digeriu a poça
em seu aparelho infinito.
a luz forte do sol
presenteou as ruas já secas
com um dia bonito
de tédio fresco.
foi secando a calçada.
a luz forte digeriu a poça
em seu aparelho infinito.
a luz forte do sol
presenteou as ruas já secas
com um dia bonito
de tédio fresco.
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