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sábado, 29 de setembro de 2018

chapou de tristeza.
perdeu a hora, o rumo
o prumo e a cabeça.
sentiu-se antiquado:
sofrer é sofisticado demais,
deve ter algum aplicativo
para ajudar os de menos tato.
foi no bingo
ganhou trezentos reais
e chorou
porque era justamente a quantia
que faltou pra consertar
o amassado que nasceu de bebedeira
no carro dela e no portão.
chorou assistindo máquina mortífera,
depois chorou com o futebol que acabou
em brigas de torcida que nem era a dele.
chorou quando a mãe do Kauã Reymond
apareceu no palco do Faustão, na verdade
chorou só porque o Kauã tava chorando.
e também chorou em pelo menos
cinco quadros do fantástico,
- a guerra da cracolandia,
- o escandâ-lo da obra de escolas estagnada,
a imagem das crianças estudando
no chão de barro pisado duma cozinha o emocionou,
- a superação das crianças faveladas que foram
jogar um campeonato de futebol em barcelona
e ganharam fotos, camisas e bolas dos ídolos
- uma viagem do Zeca em Roma que o lembrou muito
daquela vez que passaram o fim de semana em Alvorada.
- Os misseis nucleares de Kim Jong-Un,
e se não der tempo?
de ficar lúcido.
que vergonha, não suportar.
chorar como uma represa
chorar pra dentro até transbordar
sabia o tempo existir,
mas não o quanto dura
até curar essa ressaca
que vem junta da loucura

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