tudo ta tão simples. ta meigo, eu sei, se comparar ao quarto antigo seria como o antes e depois dum *Lar doce Lar*. é que esse roxo clarinho é uma cromoterapia que eu to testando, apesar de saber que não chegarei a certeza alguma, eu esqueço de concluir as coisas, estou sempre começando. sem pixo dessa vez. depois de perder todas as digitais das pontas dos dedos das mãos lavando palavra por palavra escrita na parede aprendi a segurar melhor certos impulsos artísticos e rebeldia. agora só terá quadros e cartazes e, claro, as prateleiras. não é minimalismo não, os móveis do antigo quarto arriaram na mudança e resolvi tudo com prateleiras.
eu estocava meus sonhos no quarto. minhas decorações eram espécies de conselhos que só as vezes, dependendo muito do humor, eu conseguia entender, então se eu procurasse algo tinha que escolher bem para onde olhar. tudo era mais ou menos feito do quis me basear. as paredes com insights, memorandos, auto-ajuda e alguns fodasses, quando não com imagens de pessoas que eu tomava como sendo o que disseram ser em seus livros. ah,os livros. livros e mais livros.
leio nítido o fracasso seja lá do que tentei. alguém morreu e talvez foi eu. bom. assim me livrei do sufoco que é planejar os movimentos como um profeta trapaceiro. nado na mesma lama que mergulhei nem mais ou menos feliz que antes ou do que pensei que seria um dia. na verdade, eu não pensava em como me sentiria quando conquistasse, apenas visualizava o que eu teria. eu tomava o existir como uma espera, recebia a vida por missão, e apavorado tentando vencer à tempo. que estúpido. nunca dá tempo. parei de classificar meus fumos como bons ou ruins. preocupar-se é tentar dobrar a realidade com a força do medo. todos aqueles conselhos, eram apenas enfeites, porém essa parede linda foi simplesmente largada aí por mim do jeito que tá e minha cabeça ainda lateja com mais ou menos rumo se apoiando em vários escoros. pra quem sabe ver beleza qualquer esforço é uma vaidade inútil.
ainda não acostumei por completo com o ranger das madeiras, principalmente nas madrugadas e uso essas sensações pra pensar mais sobre a vida. vou descobrindo segredos da casa junto com alguns meus. por exemplo, perdi toda a crença nos espíritos, mas uma coisa me intriga. mesmo depois de tantos anos o meu café mantém o mesmo gosto. não importa quantidade de agua ou de café que eu use. e sei que daqui a pouco o meu arroz e o meu feijão também terão o mesmo gosto independente do tanto de sal, de alho ou cebola. o café nunca fica fraco, porém o feijão nunca engrossa. pensei que mudando de cidade isso mudaria. mas é como um dom destinado. por isso vejo em minha mãe uma sorte melhor que em meu professor que se culpa a cada tentativa de bolo que não cresceu.
tudo é tão diferente. o que vejo. o que penso. porque ainda tem o mesmo gosto?
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