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sábado, 29 de setembro de 2018

ração no pote

"...Qual o problema d’eu querer explodir tudo? Pelo caminho que fiz parece o mais sensato a se fazer. Ou me contentar, fazer o que. Fingir que minha árvore genealógica inteira adorou sacrificar suas vidas como mão de obra barata e viverem do mínimo para bancar a vantagem do playboy. Dizer que honro tal esforço com minha felicidade de suvenir. Consumir, consumir e consumir mais um pouco até eu não lembrar mais que as pessoas felizes estão destruindo o planeta. Aceitar que eu patrocino essa fortuna desregulada, o apocalipse ambiental e acreditar que meu singular esforço é o avanço da luta. Acredito na luta, mas não consigo comemorar nada vendo que se um pobre deseja algo (que provavelmente é um ideal asséptico imposto), tem que se focar por anos, olhando as infinitas possibilidades de vida vazando, e isto equivale a uma atitude impulsiva do burguês e no fim, lá se vai a vida. E são a maioria do mundo e a maioria em condições que me impossibilitam de reclamar da minha sorte. Gosto de viver e ver as coisas, de aprender, de pensar, de sentir tudo isto e ainda buscar seja lá o que for. Mas é muita tiração, tipo, enquanto isto os ricos continuam lindos, vivendo bem as nossas custas e achando natural e criticando, feito um gato ingrato ganhando carinhos e ração no pote. Não, eu não te odeio. Eu não te conheço. Alguns gatos eu chego até a amar. Mas qual o problema de explodir tudo? Eu nem consigo mesmo haha é que seria tão prático. Ou você vai parar de comer a ração no pote?"

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