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sábado, 29 de setembro de 2018

A incapacidade nos causa desinteresse
como a infinitude do céu nos conforma
em não saber seu tamanho.
Por pouco conseguirmos dobrar,
muito pouco além de joelhos
e pescoço,
a incalculável expressão humana
passa a nos interessar menos
que a glória da civilização e do espírito.
intactos graças à auto-conservação,
tipo salsichas enclausuradas com tempero.
Carregando a paz que não temos
com um plano para amanha
sem nos darmos pelo agora.
Posicionando-se mais que conhecendo,
caçando mais que colhendo.
feito quem se engana.
Quando a planta busca a luz
ela pensa que vai chegar em algum lugar?
A politica desmoronou,
mas continuamos
A educação enganou-se
mas continuamos,
nossa produção esterelizada
mas continuamos
nossa familia separada
mas continuamos
nosso tesão comprado
mas continuamos
Nossos ídolos foram desmascarados
mas continuamos
nossos deuses desmentidos
e continuamos.
que nem me pergunto mais
onde é que isso vai parar,
porque isso não para nunca.
talvez se parasse...
e se recusasse a fazer...
e se não precisássemos de martírio
ou de esperar?...
nao
essa roupa não serve
é a incapacidade
do festim se tornar pólvora.
e todo esforço é
colando mais lantejoulas douradas
sobre a couraça, capacete
e cortando papelão para fazer alforjes
e simular uma cena.
Mas a esquete é tediosa,
não muda.
os guerreiros amputados,
horrorizados com a face da tragédia,
bajulam seus fidalgos generais
e prospectam seu reinado global
enquanto repartem o saque de guerra.

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