sábado, 29 de setembro de 2018
silêncio de merda
a noite não fala comigo, mas escuto vozes que complementam a falta do bombardeio imagético. a evidência é óbvia de que ninguém precisa de mim, de que posso dormir pra depois acordar, deveria bastar, pelo menos é um apelo sincero. quase longe alguns motores ecoam graças a gasolina. outros cachorros latem por estarem presos enquanto os cães de rua rasgam os sacos e espalham lixo pelo meio fio. e a mim ninguém reporta, nem o sono. nem bixo algum aguardando ração para cães adultos. nem o motorista bebado querendo comprar cerveja com a loja fechada. se eu fosse dono da petrobrás quem sabe quantos olhos eu teria. descansar depois de ter ajudado a todos com suas pressas inúteis. mas tenho apenas essa voz incalável que é a minha voz. lembrando de tudo que não é executável. meus mortos ressuscitam para morrer de novo toda noite. mato eles desde 20h no bar do Gê e eles sofrem comigo nesse inferno pela eternidade que nunca passa das 2h da manhã. eu não sou louco, qualquer mente é inquieta. são discursos, são ideias, são fofocas e desabafos, porém nunca piadas. o interlocutor ta mais para um cobrador de telemarketing. e as vezes é como só o telefone tocando por um tempão. tomo providências meio idiotas, tipo sexo e drogas. clichê, pelo menos eu dou risada. a cama está vazia e esvazia mais conforme o copo também esvazia. poderia ser qualquer uma hoje, gemendo, berrando, retalhando graficos de prazer no meu corpo com sua unha. não ouço vozes, mas é como se ouvisse.
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