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sábado, 29 de setembro de 2018

fazemos
péssimos planos.
assisti os melhores filmes
com atecedencia,
gastei o brócolis
todo no almoço,
fumei a ultima
cartela de cigarro inteira
num único sopro.
e escolhi uma sinta
que arrebenta
antes de lacrar
minha circulação.
não sobra nada,
além duma vida inteira.
além dos copos sujos
em cima da pia
e uma sede maior
que a louça limpa.
além das meias rasgadas
que deixa
entrar o vento
e vazar meu bem-estar.
além do pé de tomate
implorando agua no quintal
e me fazendo mais promessas.
além de moedas incompletas,
de familia descontente,
de amizades angustiadas,
e de um jogo
do campeonato brasileiro
pra completar a rodada inútil.
além da luta
de segunda-feira
que também promete
qualquer ideia
de amanhã melhor.
não sobra nada
além do constrangimento
a ser superado.
novamente eu vou descer
as escadas do prédio
com uma escolha
que não deve ser pensada.
com uma escolha guardada
no bolso da camisa,
enquanto dichavo a vida
e dou uns goles.
com uma escolha acarinhada
pelas promessas doces
de alguém entorpe.
uma escolha protegida
para não encerrar
em lágrimas
uma noite tão divertida
como essa que nos propomos.
e sorrir
não pelo amanha melhor,
mas por ainda não ter gasto atoa
a carta na manga
e não sobrar nada
ao nível do jogo emocionante,
mas somente ao
da vida insossa
que não planejamos.

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