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sábado, 29 de setembro de 2018

aquela impotencia (sentindo-se um bosta)

hoje em dia não se quebra mais vidraça. você se sente vigiado demais pra isso. tomar uma única iniciativa pode arruinar a imagem de uma vida toda. ignorantes, mas civilizados. pode dizer castrados também. no meio de muitas pixações ilegíveis estava escrito "fascistas não passarão". tão pequeninho, era de dar dó se comparada as gigantescas faixas estendidas entre prédios na revolvente madrid do ódio durante sua guerra civil. NO PASARAN!. guerra civil jamais. preferimos duma forma mais dominadora. duma luta velada. de evitar uma guerra civil durante uma guerra civil. a gente não fala assim, mas o tráfico é para nós o que o petróleo é para síria em termos de geração de interesses comerciais internacionais contraditórios. os mortos por ideias são grãos de areia no cemitério dos assassinados. você sabe bem disso, tem tiro, tem bomba, tem assaltos, tem uma pilha nova de corpos todos os dias, tem campos de concentração super lotados, tem um lado e tem o outro lado. é guerra sim. mas também, tu vai fazer o que? se colocar uma faixa ela vai ser retirada em menos de 2 minutos. se quebrar uma vidraça vai ter que pagar e ta caro pra caralho o vidro. e numa merda dessas é bem capaz de tu perder o emprego. aí fudeu de vez. vai morar na rua e virar carvão de playboy chapado. evitamos a guerra ao mesmo tempo que a toleramos. evitamos a violência escolhendo caminhos e horários e funções. e para entender os protestos pelo caminho se faz necessário um bom conhecimento em estética. você vê algo e pensa que foi como um soco na cara. mas não foi. o ônibus que é tedioso demais, como a vida. soco na cara é outra coisa que evitamos tolerando. tem um grafitte que é lindo ali na jk: A INDIFERENÇA MATA. bem imponente em letras de forma vermelho sangue dominando a quina. o grafite é tão bonito, questionador e bem feito que você nem repara no trabalhador/mascote com roupa de vaca segurando uma placa da sanduícheria debaixo dum Sol escaldante na calçada da frente. mas fodasse porque o público alvo são as crianças mesmo e essas sim são atingidas na mosca. é a guerra comercial. eu imagino a pessoa por baixo daquela fantasia lendo aquela frase o dia inteiro decepcionada com a humanidade das pessoas. e também o imagino pegando seu pagamento e sorrindo pras notas. mas também, tu vai fazer o que? sair distribuindo dinheiro na rua?! ou talvez participar dum plano de educação efémero, pensar como o mundo seria sem pessoas de atitudes como a sua. mas não pensa em como o mundo seria melhor com atitudes mais agressivas defront à desigualdade. porque você é arriscado a perder tudo e perder tudo é perder o que? teus sonhos e teus confortos. o insuportável é só isso. todo o resto é passável sim e com nossa licença. e vivemos e respiramos dentro da guerra e de dentro da guerra fazemos transações comerciais e seguramos a pedra mirada para a vidraça aguardando a dominação messiânica porque se for igual a primeira mesmo que seja terrível pode ser superada como foi a primeira. mas isso não é alarde e sim um eco. ta bem explicado em letras claras, a indiferença mata. ser iludido o torna indiferente. e seguramos a ilusão da guerra que estar por vir, nunca esqueço, de dentro da guerra. mas também, fazer o que, né?!

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